Portugal Diário - 11 de MaioSegurança Social:
novo sistema para os mais novos
O novo sistema misto contributivo apenas será aplicável à nova
geração ou aos que descontam há pouco tempo
O ministro da Segurança Social e do Trabalho reafirmou este sábado que
o novo sistema misto contributivo será apenas aplicável à nova geração ou
aos que descontam há pouco tempo para o sistema público, o único ainda em
vigor.
António Bagão Félix, que falava no Conselho Nacional do CDS/PP, a
decorrer em Leiria, adiantou que a preocupação do governo de coligação em
matéria de segurança social está na «geração futura», ou seja, aquelas
pessoas «que daqui a 30 anos vão estar em situação de risco social».
Classificando o actual sistema de segurança social de «monstro de pés
de barro», o ministro alegou o facto de dentro de «40 anos existirem mais
reformados que activos» para justificar a urgência do novo governo em
«resolver os problemas do futuro» e introduzir «o princípio da partilha de
riscos» entre público e privado.
«O problema do tecto contributivo acima do qual não se deve descontar é
para aplicar às novas gerações», disse o ministro, sublinhando: «É preciso
que as pessoas que vão entrar agora saibam claramente que o Estado daqui a
40 anos não lhes pode garantir as regras do jogo de hoje».
Argumentando que a adopção do sistema misto contributivo para a
segurança social se trata de uma medida de «bom senso, prudência e
sensatez», Bagão Félix não deixou de apontar o dedo ao PS quando afirmou
que «seria mais cómodo cruzar os braços e fazer pactos de solidariedade»
do que «tratar dos que dentro de 30 ou 40 anos vão estar em situação de
risco social».
«O Estado não se deve preocupar acima de um certo valor», reiterou o
ministro, assegurando que o novo sistema para a segurança social (inserido
na nova lei de bases para o sector que o governo se prepara para
apresentar ao Parlamento) não irá implicar «uma perda de receita, mas sim
uma diminuição da despesa a prazo».
Convicto de que o sistema misto contributivo é o mais correcto para
fazer face ao futuro da segurança social, Bagão Félix não deixou de
salientar que «é nos momentos difíceis que se tomam as decisões mais
lúcidas».
«Se este é um momento difícil também é um grande momento de
oportunidade da regeneração das políticas sociais e financeiras», frisou.
Em termos globais, o ministro revelou que o Estado português gasta
cerca de 40 milhões de contos (200 milhões de euros) por dia, adiantando
que, deste valor, 37 milhões provém dos impostos e 3,0 milhões são fruto
de endividamento.
«No caso da segurança social, as despesas são de 80 milhões de contos.
É este o monstro de pés de barro que não se quer tocar mas temos de fazer
qualquer coisa», prosseguiu.
Alterações para as quais, como garantiu, não tem a «preocupação do
unanimismo», num claro recado para os parceiros sociais e para os partidos
da oposição.
Até porque, lembrou, «a política também é fruto de desacordos» e os
«tectos contributivos e a revisão do Rendimento Mínimo Garantido constam
dos programas eleitorais dos dois partidos» que sustentam o governo,
havendo por isso «mandato dos cidadãos» para proceder a tais alterações.
Bagão Félix adiantou que é sua prioridade adoptar o princípio da
diferenciação social - «tratamento igual ao que é igual, diferente ao que
é desigual» -, dando como exemplo o caso da pensão de invalidez e as
baixas.
O ministro criticou que um jovem de 25 anos receba uma «pensão de
miséria» só pelo facto de descontar «há pouco tempo» e, em relação às
baixas, disse ser sua intenção não permitir que «quem está de baixa ganhe
mais do que quando está a trabalhar».
O apoio às famílias numerosas e aos idosos (criando-se centros de
noite) serão outras das apostas de Bagão Félix, para quem «a família está
antes da cidade e a cidade antes do Estado».