dos jornais e rádios para
travar degradação
"REALITY SHOWS".
Embora critique a luta pelas audiências, o governante rejeita ideia
de crise de confiança no sector O secretário de Estado para a
Comunicação Social admitiu, no passado sábado, que foram
"ultrapassados todos os limites na televisão portuguesa".
Presente na celebração do 10.º aniversário da Associação das
Rádios de Inspiração Cristã (ARIC), que decorreu em Tomar, Arons de
Carvalho defendeu inclusive uma série de intervenções para
"recuperar a dignidade da comunicação social".
De acordo com a Lusa, aquele membro do Executivo criticou a
"transmissão de um conjunto de programas que não preservam a
liberdade de informação, nem defendem a vida privada e familiar, tudo
em nome da luta pelas audiências e conquista do lucro".
Para contrariar essa tendência, Arons de Carvalho considerou ser
necessária a intervenção da Alta Autoridade para a Comunicação
Social que, afirmou, "acordou um pouco tarde". "Resta-nos
esperar que actue de acordo com a Constituição e a Lei",
acrescentou, recordando que "o Governo não pode intervir, porque
não faz parte das suas competências".
Arons de Carvalho sublinhou ainda que é "importante que haja
auto-regulação por parte das televisões. Em tempos as estações
fizeram um acordo sobre a transmissão de imagens violentas. Era bom que
houvesse um esforço desses relativamente aos reality shows. Mesmo que
fosse apenas parcialmente coroado de êxito".
O secretário de Estado alertou também para a necessidade de
"uma movimentação cívica a favor de uma televisão de
qualidade", e salientou que a RTP tem uma "responsabilidade
acrescida" enquanto serviço público: "Não pode ter a
veleidade de acompanhar as televisões concorrentes e pode aproveitar a
degradação da programação dos privados para crescer."
Paralelamente, recordou, os jornais e as rádios podem ter "um
papel regulador importante, não acompanhando essa degradação,
servindo antes como moderadores fundamentais da dignidade que tem de ter
a comunicação social".
Sobre este assunto, Magalhães Crespo, presidente da Rádio
Renascença e da assembleia-geral da ARIC, disse que as rádios
"têm obrigação e meios para combater a degradação da sociedade
portuguesa".
Segundo a Lusa, este responsável afirmou ainda que a situação das
televisões em Portugal resulta de "um Governo sem qualquer
proposta motivadora para a sociedade, que vai de crise em crise
disfarçando a incompetência, mas acumulando erros. Mais grave é que a
oposição não nos dá garantia que fará melhor".
Apesar das críticas aos reality shows, Arons de Carvalho rejeitou a
ideia de uma crise de confiança: "O número de candidaturas aos
incentivos para a modernização tecnológica, conteúdos online e
iniciativa e desenvolvimento empresarial desmente a falada crise de
confiança nas empresas de comunicação social, rádios locais e
imprensa regional."
"Alguns serviços têm mesmo de prescindir de fins-de-semana e
feriados para dar andamento às questões burocráticas", adiantou
o governante, concluindo que "este ano não será possível
atribuir esses incentivos antes do Verão".