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CNJP - 24 de Maio
Mais agressão ou o desarmamento televisivo?
Conselho Nacional de Justiça e Paz
A réplica no processo de nivelamento pelo mais baixo era esperada.
A Comissão Nacional Justiça e Paz previra-a logo que - em Setembro do ano passado - tomou posição sobre o que então classificou de exploração condenável do "mercado da privacidade".
O acontecido enquadra-se também na análise que a Conferência Episcopal intitulou "crise de sociedade, crise de civilização", particularmente no que se relaciona com a cultura da dignidade da pessoa humana e da família.
Infelizmente, as piores expectativas foram ultrapassadas, num verdadeiro atentado a milhões de espectadores, que deixou perplexos mesmo os mais ousados.
Está por fazer - e nunca se fará - o inventário dos inúmeros e profundos danos que a guerra das audiências entre as televisões privadas já produziu.
E não será menor a razia que se prepara para continuar a infligir aos diferentes sectores da sociedade, ignorando ou negando valores que não podem ser postergados, e incutindo nos jovens os ideais do materialismo, do individualismo, do hedonismo, do facilitismo, e a apologia da cultura do vazio e do nada, com uma progressão que alastra rapidamente, em extensão e em profundidade.
Entretanto, perante as últimas agressões televisivas, as reacções generalizadas ao choque vieram ao de cima, com uma ressonância que fez acordar as consciências, mesmo de muitos a quem a dopagem comunicacional dos últimos tempos lentamente adormecera.
O que, para já, suscitou que os contendores televisivos se dessem conta de que tinham ido longe demais na agressão, apressando-se, pelo menos aparentemente, a dar alguns sinais de quererem levantar a bandeira branca e a proporem o fim do conflito, com a abertura de negociações para um desarmamento televisivo!
Donde a necessidade de questionar:
· Vão os poderes constituídos esperar pela auto-regulação dos contendores, numa posição típica do estilo politicamente correcto quando se trata de valores éticos aparentemente protegidos por leis em vigor?
· Basta uma expectativa de uma eventual reconsideração táctica desses contendores para ficarmos de consciência apaziguada?
· Não haverá nisso uma hábil estratégia de antecipação a uma possível reacção punitiva?
· Não estamos perante a concessão de licenças públicas que deveriam ter em conta a defesa do bem comum?
· Não é necessário e urgente fazer funcionar as leis vigentes?
· Não é possível fazer justiça e proteger os cidadãos com os actuais dispositivos legais?
Para a CNJP jamais os padrões éticos podem ou devem estar subordinados aos interesses económicos e financeiros ou neles diluídos.
Na defesa de uma cultura de promoção dos ideais humanistas e dos valores da doutrina cristã, não se pode pactuar com a atitude dos que atacam tais ideais e valores, particularmente dos que detêm poderosos meios de influenciar mentalidades e comportamentos, nem aceitar a omissão ou a aparente e perversa neutralidade dos poderes públicos.
E, também, é imperativo de consciência, juntar organizações e consumidores conscientes destas agressões, no sentido de penalizar, activa e eficazmente, a atitude de quem, através da publicidade e dos patrocínios, para elas decisivamente contribui.
Por fim, a CNJP vem juntar-se a todos quantos apelam ao funcionamento das instituições, para que cada uma delas desempenhe eficazmente o mandato a que está obrigada ou que se propôs cumprir e não se limite a proclamar boas intenções ou a não ir além do opinar, como tão só de mero comentar se tratasse e, cada uma, não tivesse a estrita obrigação legal e moral de agir.
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