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Público - 23
Jun 06
Estudo da APSI
Manutenção é o maior problema dos espaços
infantis
Sofia Rodrigues
Jardim público
e recreio escolar são considerados os que têm pior
conservação
A manutenção, o equipamento e o
piso são as anomalias mais frequentes que são
apontadas aos espaços de jogo e recreio, revela um
estudo que inquiriu diversos profissionais e
entidades ligados ao sector.
O trabalho, levado a cabo pela Associação para a
Promoção da Segurança Infantil (APSI), pretendia
avaliar o impacto da legislação em vigor sobre os
espaços de jogo e recreio e foi divulgado ontem
durante o 3.º congresso sobre o tema, que termina
amanhã, em Lisboa.
O estudo foi feito com base nas respostas a um
inquérito enviado a profissionais do ensino, de
planeamento, de fiscalização de gestão e manutenção,
da saúde, comércio de equipamento, e também a
utilizadores (pais e também foram ouvidas crianças).
Em 259 respostas consideradas sobre a avaliação dos
espaços infantis, a esmagadora maioria diz
identificar frequentemente anomalias com a
manutenção (83 por cento), com o equipamento (73 por
cento) e piso (65 por cento).
Os dois primeiros problemas referidos - a
conservação e o material - são os que constituem um
maior risco para as crianças nos espaços de jogo e
recreio, indicam os resultados do estudo.
Questionados sobre a manutenção que é feita aos
espaços infantis, a maior parte dos sectores
considera que é insuficiente (61 por cento). O
jardim público (71 por cento) é o espaço que os
inquiridos (241 respostas válidas) apontam mais
problemas, seguido do recreio escolar (34 por
cento), das áreas no contexto habitacional (22 por
cento). Uma pequena parte (quatro por cento)
identifica outros espaços em que existem problemas,
nomeadamente os municipais, os privados
(associações, clubes, estabelecimentos comerciais) e
espaços desportivos.
Os principais riscos que as crianças enfrentam ao
utilizarem parques infantis ou outros espaços
lúdicos estão relacionados com o equipamento (68 por
cento), superfícies de impacto (42 por cento),
manutenção e conservação do espaço (35 por cento) e
perigos relacionados com o enquadramento urbano e
organização do espaço (35 por cento).
O estudo visa avaliar o impacto do Decreto-lei
379/97 de 27 de Dezembro de 1997. Desde então, os
técnicos em geral concordam que a segurança
melhorou, mas que não houve evolução no planeamento
urbanístico, segundo Helena Cardoso de Menezes,
presidente da APSI e que apresentou os resultados.
Os dados sobre a legislação são contraditórios. A
quase totalidade (92 por cento) dos inquiridos diz
conhecer a lei, mas uma boa parte (41 por cento) dos
que sugerem alterações legais indicam aspectos que
já estão em vigor. Num ponto, a grande maioria (89
por cento) parece estar de acordo: a actual lei
precisa de ser revista.
Um dos aspectos identificados como sendo necessário
rever é o dos seguros. Do total de respostas, 17,9
por cento afirma ter conhecimento de dificuldades na
contratação do seguro. Por outro lado, as
seguradoras que colaboraram no estudo consideram que
a lei não é clara relativamente à contratação de um
seguro.
A clarificação de alguns aspectos da lei é
necessária, concluiu Helena Cardoso de Menezes, até
porque nos últimos anos surgiram novos materiais,
como os insufláveis, ou outros tipos de espaços,
como os equipamentos com bolas em ambientes
fechados. |