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Diário de Notícias -
20
Jun 06
Um 10 de Junho diferente
José Manuel Barroso
Bandeira e hino
Na verdade, apesar de todos os atropelos, esta ideia
de Pátria, de Nação, de País
está de novo caminhando. Não tanto, ainda, pelo que
conseguimos fazer de bom na
economia, na educação ou noutros campos (e é
universalmente reconhecido
pelos portugueses), mas pelo fenómeno de massas que
é o futebol. Não, também,
pelo culto positivo da nossa história, da nossa
literatura, da nossa língua e
da nossa cultura. Mas pela adopção democrática
espontânea dos símbolos
nacionais do Hino e da Bandeira, a propósito do
"clube Portugal" em que se
tornou a selecção de futebol.
Quantos milhares de portugueses aprenderam a cantar
o Hino e a usar os símbolos
nacionais com orgulho, por causa do Euro 2004 e
agora do Mundial? Também aqui
a ideia profunda de País e de Nação venceu a ideia
rasca e anti-portuguesa do
antinacionalismo - tão difundida pelos que viam num
certo internacionalismo,
filho de um dos grandes totalitarismos do século XX,
o comunista, um subserviente
substituto para a ideia de Nação.
Mesmo sendo o futebol o que é, no seu melhor e no
seu pior, resulta magnífico
ver tantos portugueses a cantar A Portuguesa e a
fazer ondular ao vento a
bandeira das quinas. E com que orgulho o fazem os
milhares de emigrantes, os
homens da moderna diáspora, nos dias que eles sentem
como sendo sempre "de
Portugal e das Comunidades".
Há dois conceitos de nacionalismo, hoje como ontem.
Um conceito aberto,
progressista, que não teme o mundo e não receia a
afirmação dos valores
nacionais, representado pela diáspora portuguesa e
por aqueles que se revêem na
história portuguesa; e outro conservador, que os
antiglobalização tão bem
representam e que quer parar o curso da História -
neoproteccionista e
chauvinista, envergonhado dos valores nacionais,
laicista em vez de laico e
para quem as Forças Armadas, Nação, Pátria são um
empecilho. Os herdeiros da
Guerra Fria, pelo lado do velho internacionalismo
proletário, refugiaram-se
quase todos aqui, modernizando o discurso, mas
conservando os conceitos. O
Portugal moderno de hoje tem nestes novos velhos do
Restelo, de discurso fácil e
demagogia sedutora, os seus novos-velhos inimigos.
Se há algo que, nestes últimos trinta anos, se
tornou evidente é que os
herdeiros do velho progressismo são os verdadeiros
conservadores, os que se
opõem a todas as reformas - ou que só as querem para
os outros - e que muitos dos
ditos conservadores são os verdadeiros
progressistas.
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