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Jornal da Madeira.pt
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02 Jun 06
Diminuição da natalidade é
preocupante
Ainda que na Madeira a situação não seja tão grave,
diz João Correia
A Região Autónoma da Madeira segue a tendência
nacional de diminuição da taxa de natalidade. Em
todo o caso, a média regional não é tão baixa como a
do resto do país. João Correia disse que os
sucessivos governos não têm sabido gerir esta
situação da forma mais correcta. No seu entender,
são necessários apoios às famílias, para tentar
inverter a situação.
Tal como no resto do país, também na Madeira, a taxa
de natalidade tem vindo a diminuir ao longo dos
últimos anos. Mesmo assim, a situação não é tão
grave, tendo em conta que a Região ainda continua à
frente da média nacional.
Contactado pelo JORNAL da MADEIRA, o presidente da
Delegação Regional da Associação de Famílias
Numerosas disse que vê esta situação com «muita
preocupação». João Correia disse que na Região a
tendência é a mesma do resto do país, embora os
números não sejam tão expressivos. Apesar da menor
gravidade, contudo, o nosso interlocutor sublinha
que é necessário dar mais atenção ao problema.
João Correia disse que a Associação tem alertado
para o facto de a população em Portugal estar a
diminuir «drasticamente» e para o facto de não
haver, da parte dos sindicatos competentes, medidas
para inverter esta tendência, razão que conduziu a
que, em 2005, se tenha registado um tão elevado
decréscimo dos nascimentos.
De acordo com o nosso interlocutor, em termos
sociais, esta situação é preocupante, porque «o país
corre o risco de falir», já que «sem renovação
haverá problemas sociais, económicos, de segurança
social, de emprego e de imigração».
Como tal, considera que, se esta tendência se
mantiver, «daqui a 20 ou 30 anos, a situação será de
grande gravidade e de extrema pobreza». Por isso,
sustenta que «não se pode cruzar os braços» e que há
que tomar medidas no sentido de inverter a situação.
No seu entender, isso passa por um apoio expresso e
substancial às famílias e um apoio à natalidade. «A
questão do apoio à família e da natalidade é muito
transversal, pelo que tem de haver uma acção
concertada a todos os níveis», acrescentou.
Contradição
governamental
João Correia afirma que tem havido uma certa
contradição em termos das medidas que são tomadas
pelo Governo nesta área. De acordo com as suas
palavras, nos últimos vinte anos, «nenhum governo
tem sabido gerir esta situação da forma mais
adequada».
Se, por um lado, pela primeira vez, este Executivo
demonstra alguma preocupação em relação à
natalidade, por outro, toma medidas que são
contraditórias, como, por exemplo, o encerramento de
algumas maternidades e a revisão do Estatuto da
Carreira Docente.
Em suma, João Correia salienta que «continua a haver
uma falta de integração das políticas governamentais
em relação a esta situação».
Em 2005 nasceram 109.266 bebés em Portugal
No ano passado nasceram apenas 109.266 bebés em
Portugal, representando o número mais baixo desde
1995. Pelo terceiro ano consecutivo, houve uma queda
na taxa de natalidade.
O fenómeno não é recente, nem tipicamente português,
já que é essa a tendência um pouco por toda a
Europa, mas torna-se cada vez mais preocupante.
Actualmente, mais de metade das famílias não têm
qualquer filho e 24% optam por ter um único filho.
Apenas 3% dos casais têm três ou mais filhos. A
situação só não é pior porque as vagas sucessivas de
imigrantes rejuvenescem o mapa de Portugal.
«A queda da natalidade começou no início dos anos
60, até que em 1986 atingimos o indicador da
fecundidade actual, que é de 1,4 filhos por mulher»,
explica Mário Leston Bandeira, presidente da
Associação Portuguesa de Demografia.
Ricardo Caldeira
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