A
Conferência Episcopal Portuguesa (CEP)
contestou hoje a introdução de um modelo de
educação sexual nas escolas que seja contra
os valores dos pais e criticou que se
considere "padrão" as relações sexuais entre
adolescentes, comportamento "evidenciado por
minorias".
Numa nota pastoral hoje divulgada,
intitulada "Sobre a Educação da
Sexualidade", a Igreja Católica defende que
os professores devem seguir os valores das
famílias em matérias de educação sexual e
lamenta que se possam "considerar como
padrão, comportamentos evidenciados por
minorias, tal como o que respeita às
relações sexuais praticadas por
adolescentes".
Para a formação sexual dos jovens, a
hierarquia da Igreja dá prioridade à
família, salientando que "o exercício desse
direito-dever é anterior à intervenção de
outras instituições" como a escola.
"Esta tarefa exige dos pais preparação
adequada e contínua, de modo a capacitá-los
para o diálogo, em clima de simplicidade e
abertura à comunicação, que permita
esclarecimento e orientação dos filhos",
defendem os bispos, elogiando o esforço dos
pais, apesar da "indiferença ou hostilidade
perante a instituição familiar" que existe
na sociedade actual.
"As
outras instituições nunca podem substituir
os pais" embora possam "ajudá-los no
cumprimento da sua missão educativa", como é
o caso da escola, defendem.
"No
entanto, a escola é subsidiária da família
e, no campo da sexualidade, como noutros,
compete à família decidir as orientações
educativas básicas que deseja para os seus
filhos, decorrentes dos seus valores,
crenças e quadro cultural", pelo que os pais
devem ser chamados a "acompanhar o processo
de tomadas de decisão (nos estabelecimentos
de ensino), incluindo a selecção e a
formação dos professores".
A
nota defende ainda que os pais devem ter
condições para recusar "determinados
projectos ou acções por os considerarem
desajustados em relação à perspectiva
educativa que desejam para os filhos", apela
a Igreja.
Por
outro lado, a Igreja entende que o
"desenvolvimento da sexualidade apresenta
notáveis diferenças de ritmo, mesmo em
indivíduos da mesma idade ou grupo", e
defende que os professores não devem
antecipar "informações, nem incentivar
dúvidas ou dificuldades" na sua maturação.
Nesse sentido, "o respeito pelos alunos não
permite a utilização de jogos e de outras
estratégias, como o desempenho de papéis,
que excitam a imaginação e exploram
sensações de forma manipulatória, ferindo a
sensibilidade e a dignidade dos alunos e não
respeitando a sua intimidade e pudor", diz o
documento.
Na
nota, a Igreja considera que a "sexualidade
humana, correctamente entendida, tem uma
ligação profunda com o amor" e rejeita uma
pedagogia que se resuma à "mera informação
sobre os mecanismos corporais e
reprodutores, como tantas vezes tem
acontecido", de modo a prevenir "o contágio
de doenças sexualmente transmissíveis e o
surgimento de gravidezes indesejadas".
Com
uma perspectiva deste tipo, "deturpa-se o
sentido da sexualidade, isolando-a da
dimensão do amor e dos valores, e abre-se
caminho à vivência da liberdade sem
responsabilidade", considera a CEP, que
aponta como exemplos "o auto-erotismo,
homossexualidade e as relações corporais sem
dimensão espiritual".
Comentando as reacções de vários sectores da
sociedade a alguns projectos de educação
sexual nas escolas, a Igreja considera que
"as metodologias propostas e a bibliografia
sugerida como base de trabalho (Ó) colidem
com a sensibilidade e as convicções do
público" a que se destinam.
Assim, a hierarquia católica considera que a
educação não se deve resumir à "dimensão
biológica, evidente na diferenciação
sexual", mas abranger todo o "conjunto de
emoções e sentimentos" que afectam os
indivíduos.
Sobre questões como a integração da educação
da sexualidade nos programas, a Igreja não
se pronuncia, defendendo principalmente "a
qualidade formativa dos docentes, a
possibilidade de abertura da escola à
colaboração de organizações exteriores".