Pedro Sousa Tavares
Moderação. Ministério quer
esperar pelos próximos dias de greve para fazer balanço dos
exames do 9.º e do 12.º ano
O Ministério da Educação (ME) passou ontem no
primeiro teste real à sua política de não cedência para com os
sindicatos. Apesar dos dados das organizações de professores,
que apontaram para uma adesão de 66% à greve na região centro, o
objectivo essencial do Executivo - a realização dos exames - foi
cumprido no essencial. No 9.º ano, em mais de 100 mil
participantes nas provas de Português, apenas 191 ficaram
impedidos de as realizar. No 12.º ano, todos os 23 mil
participantes nos exames nacionais de Geologia e de Sociologia
concluíram-nos sem problemas.
Estes números comprovam, para já, a eficácia da opção do
ministério pela fixação de serviços mínimos e dão ao Governo
margem suficiente para organizar segundas chamadas do 9.º ano no
mês de Julho, para os estudantes que ficaram sem prova. Mas como
ainda faltam três dias de greve, o ministério vai evitando
balanços precipitados.
Quarta-feira, dia de paralisação na região norte, os alunos do
9.º ano fazem exames de Matemática. E segundo admitiu ao DN o
secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, só
então se poderá dizer se é possível evitar as segundas chamadas
no indesejado mês de Agosto "Se a dimensão for semelhante à de
hoje acreditamos que sim", disse, "mas por isso mesmo só vamos
tomar uma decisão nesse dia".
12.º ano. Em relação ao 12.º ano o discurso é
particularmente cauteloso. Apesar dos sucessos nas provas de
Português (17 de Junho), Geografia e Sociologia (ontem), faltam
ainda três dias de greve, em que se vão realizar nada menos do
que 13 exames distintos. Todos os estudantes que finalizaram o
secundário terão uma segunda oportunidade de fazer estas provas,
no mês de Julho. Mas é legítimo que quem ficar sem fazer a prova
nesta primeira fase exija também duas hipóteses. Até porque está
em causa o acesso ao ensino superior, num ano em que, pela
primeira, vez, é exigida uma nota mínima de 9,5 valores nestas
provas.
"Se isso acontecer, também teremos que estudar essa situação",
explicou Jorge pedreira. "Mas, relativamente ao 12.º ano, o
calendário é muito apertado, não é fácil encontrar novas datas.
De resto, foi precisamente por estas situações que o ministério
estabeleceu os serviços mínimos".
Para os sindicatos, este discurso cauteloso é apenas uma
estratégia do Governo "É mais um condicionalismo desnecessário
que se cria para interferir com o direito à greve dos
professores", considerou Dias da Silva, da Federação Nacional
dos Sindicatos da Educação. "Hoje [ontem] fizeram exames no 9.º
ano mais de 100 mil alunos. Não é o número de alunos que vai
condicionar a realização das segundas chamadas." Em relação ao
12º ano, o sindicalista admitiu que poderão surgir problemas de
calendário, mas defendeu a posição dos professores: "Não há
greves que se façam sem ónus para a sociedade, tal como há ónus
para os professores", considerou.
Quem também já marcou uma posição sobre esta matéria foram as
associações de pais (ver entrevista na página ao lado),
que querem uma época especial do 12.º ano em Setembro e rejeitam
exames do 9.º ano no mês de Agosto.
Depois de dias de forte tensão e de confronto verbal, o
ministério e os sindicatos vão voltar a encontrar-se na próxima
semana, para uma nova ronda negocial. Apesar do clima actual, as
duas partes garantiram ao DN a sua abertura para retomarem o
diálogo, de preferência de forma mais serena.