Público
- 07 Jun 05
Associação queixa-se ao provedor de discriminação de pessoas casadas
Pais casados não podem deduzir despesas relacionadas com os filhos
A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) anunciou ontem que
apresentará uma queixa ao provedor de Justiça "pela discriminação negativa
no regime fiscal do IRS de que são alvo as pessoas casadas".
A APFN critica o facto de, actualmente, em Portugal, os pais só poderem
deduzir as despesas relacionadas com os filhos caso se separem judicialmente
ou se divorciem.
Esta batalha da associação dura há seis anos. A APFN conta entregar hoje na
provedoria da Justiça uma queixa relativamente ao assunto, contra o Estado
português.
Num comunicado enviado à comunicação social, a associação cita um estudo
europeu revelado pela consultora Deloitte & Touche, em 2004, que conclui que
Portugal é um dos poucos países da União Europeia "onde as pessoas casadas
pagam mais impostos do que as divorciadas".
Para a APFN, depois de "várias intervenções e reuniões" infrutíferas com
grupos parlamentares, ministros e secretários de Estado de todos os
quadrantes políticos, chegou o momento de recorrer ao provedor de Justiça.
"A APFN concluiu que não adianta continuar a procurar sensibilizar os
governantes, recorrendo, assim, ao provedor de Justiça para se acabar com
esta situação de flagrante injustiça e penalização dos pais casados", lê-se
no comunicado.
A associação ressalva, no entanto, que "a responsabilidade da situação
actual não é do presente Governo, mas de todos quantos o antecederam, desde
que o código do IRS foi criado".