MOVE -
Movimento de Pais - 01
Jun 05
Comunicado do MOVE
Mais factos sobre a educação
sexual em meio escolar
1. Hoje, Dia Internacional da
Criança, o MOVE começa a publicar no
seu site a documentação
sobre a educação sexual
em meio escolar que a
Associação para o
Planeamento da Família (APF) difunde
com a cobertura do Ministério da
Educação (ME). A
partir de hoje, está disponível no
nosso site:
-
Cronologia dos factos,
em que se resume a criação e
colocação em prática das
"Linhas Orientadoras", que
são a base do conjunto de
actividades em curso em
escolas portuguesas;
-
2. Entretanto, a comunicação social
deu a conhecer que:
a) -
O ME começou
por negar a existência de um
programa de educação sexual,
mas,
depois, decidiu pedir um
parecer ao CNE.
b) -
A deputada
Zita Seabra queixou-se ao ME
do inquérito feito na turma do 9º
ano a que pertencia a filha, que
perguntava aos alunos "se já
tinham tido relações sexuais, com
quantas pessoas, se já tinham tido
relações com animais".
Desconhece-se o seguimento dado pelo
ME.
c) - Várias individualidades já
manifestaram a sua preocupação pelo
assunto, nomeadamente o
pedopsiquiatra
Pedro Strech;
d) - W. Coulson, co-autor de
determinadas técnicas que aparecem
na Educação Sexual divulgada pela
APF e pelo ME, experimentado nos
seus nefastos efeitos, lançou um
alerta na "Carta
Aberta aos Pais Portugueses".
3. Apresentamos alguns elementos
para melhor compreender o que se
passa em escolas portuguesas:
a) - Muita informação é já dada na
disciplina de Ciências da Natureza,
por exemplo nos 6º e 9º anos,
podendo, cada escola, escolher o
livro de apoio achado mais adequado,
como acontece com qualquer outra
disciplina do curriculum. Os
alunos fazem testes de avaliação
sobre este assunto. É criada uma
oportunidade para os pais falarem
com os filhos sobre sexualidade.
Trata-se de uma forma bem
clara de o assunto ser levado aos
jovens, com perfeito conhecimento
dos pais.
b) - Apresentamos, de seguida,
alguns dados sobre a Educação Sexual
que o ME/APF definiram no documento:
"Educação Sexual em Meio Escolar -
Linhas orientadoras".
b1) - Nas páginas 21-22 diz o
seguinte: "Em Agosto de 1999,
foi publicada a Lei 120/99 (...),
que reforça as garantias do direito
à saúde reprodutiva. Através desta,
preconiza-se que nos
estabelecimentos dos ensinos básico
e secundário seja implementado «um
programa para a promoção da saúde a
da sexualidade humana, no qual será
proporcionada adequada informação
sobre a sexualidade humana, o
aparelho reprodutivo e a fisiologia
da reprodução, SIDA e outras doenças
sexualmente transmissíveis, os
métodos contraceptivos e o
planeamento da família, as relações
interpessoais, a partilha de
responsabilidades e a igualdade
entre os géneros». No articulado,
aponta-se para formas de abordagem
interdisciplinar (...)»
Fica claro que este
programa, ao estar espalhado por
várias disciplinas, torna-se
compulsivo. Por isso, é
importante a APF e o ME continuarem
a informar que estamos perante um
Programa Que Não Existe
(PQNE), mantendo os pais
afastados do processo.
Para
sermos mais específicos, nas Linhas
Orientadoras, página 54/55, diz: «não
há competição entre o papel que a
escola desempenha ou pretende
desempenhar e o da família, já que
dificilmente o substitui
integralmente. Porque a Educação
Sexual faz parte da missão do
sistema educativo, a
articulação escola-família neste
domínio não visa obter autorização
para realizar acções concretas
mas sim fomentar e
efectivar essa articulação através
do envolvimento directo e/ou
indirecto dos pais e encarregados de
educação».
As reservas ou oposição do
encarregado de educação não são,
portanto, consideradas como motivo
suficiente para suspender as acções
ou dispensar o educando de nelas
participar.
No mesmo
sentido vai António Manuel Marques,
membro da APF e co-autor das Linhas
Orientadoras: "As escolas que
põem a ES [educação sexual] à
consideração dos pais, numa espécie
de referendo interno, estão
completamente desfasadas, uma vez
que há uma cobertura legal e
consenso geral quanto à sua
necessidade. O importante é explicar
aos pais o que se vai fazer, porquê
e como se vai fazer." Revista
Adolescentes, Ano 2, nº8, pp 93-99.
E poderíamos dar mais excertos de
livros onde autores das
Linhas Orientadoras e/ou da APF não
reconhecem aos pais a possibilidade
ou o direito de se pronunciarem
sobre a participação dos seus filhos
nestas iniciativas.
b2) - Milhares de professores
já foram formados neste
PQNE.
|
Tipo
de acção |
acções
realizadas |
escolas e agrupamentos
abrangidos |
pessoas
abrangidas |
|
2000/
2001 |
2001/
2002 |
2002/
2003 |
2003/
2004 |
2000/
2001 |
2001/
2002 |
2002/
20033 |
2003/
2004 |
2000/
2001 |
2001/
2002 |
2002/
2003 |
2003/
2004 |
|
Acções
p/ professores |
194 |
122 |
65 |
48 |
194 |
126 |
84 |
46 |
4483 |
2489 |
1600 |
1063 |
(In Relatório de actividades da APF)
b3) -
No mesmo quadro, podemos ver que
várias escolas (um total de
450) já foram objecto de acções
deste PQNE;
b4) - As linhas orientadoras referem
elogiosamente vários manuais (quer
portugueses quer estrangeiros), e
motivaram já a elaboração de manuais
específicos para esta abordagem
interdisciplinar da educação sexual,
nomeadamente
Educar para a
Sexualidade, H
Alcobia, A R Mendes, H M Serôdio,
Porto Editora, livro para os 2º e 3º
ciclos. Na introdução deste manual
diz: «segundo o documento (.) em
que se definem as Linhas
Orientadoras sobre Educação Sexual
em Meio Escolar, a educação sexual é
um tema abrangente e
multidisciplinar que deverá ser
abordado de uma forma
interdisciplinar, em que cada
professor terá uma contribuição
própria, focando os temas mais
solicitados pelos alunos, sem nunca
se perder a objectividade necessária
a um tema tão polémico (.) A ideia
deste manual surgiu na sequência de
solicitações sentidas nas escolas,
na prática da docência, no sentido
da elaboração de projectos de
implementação da educação sexual (.)».
Ou seja, segundo os autores deste
livro, o tal PQNE
tem suscitado interesse das pessoas
que o querem implementar e suscitou
a necessidade de manuais.
A título de
exemplo, veja-se a actividade
sugerida na página 76 do mesmo
livro:
Propõe-se
aos alunos que façam uma dramatização
da seguinte situação: «Durante
uma festa dois adolescentes
beberam e recolheram-se num
quarto. Começaram com festas,
beijos e avançaram para carícias
mais íntimas. Um deles pede para
se parar por aí; não tem a
certeza. E diz: "Se
calhar é melhor não", e
afasta-o(a). Só que o outro
avança e. tarde de mais: a
penetração já se deu».
Naturalmente, impõe-se a seguinte
pergunta: como é possível
propor uma tarefa destas para ser
representada/interpretada na sala de
aula por crianças de 11, 12, 13
anos? Se nos recordarmos
dos excertos publicados pelo
EXPRESSO percebemos que nada disto é
essencialmente diferente das tarefas
propostas nos livros
elogiosamente referidos nas Linhas
Orientadoras e que qualquer
professor interessado no tema
naturalmente vai ler.
Este livro, motivado pelas Linhas
Orientadoras, tem muitos outros
"aspectos instrutivos", como uma
secção sobre masturbação ilustrada
por um quadro de Klimt que
representa uma mulher a masturbar-se
e que se chama Mulher sentada de
coxas abertas; e
outras secções como
homossexualidade, "primeira vez",
etc.
b5) Em
http://www.move.com.pt/documentos/docescola.pdf,
pode-se encontrar o exemplo de uma
acção de educação sexual
interdisciplinar numa escola. O
projecto foi conduzido pela APF e
nele se pode ver a esmagadora dose
de conteúdos de natureza sexual a
que as crianças foram sujeitas.
4. Por tudo isto,
perguntamos :
a) Por que razão o ME chama "um
programa e manuais que não existem
" às "Linhas Orientadores", à
bibliografia comentada, às centenas
de acções de formação que a APF
realizou pagas pelo dinheiro dos
contribuintes, aos manuais que estão
a ser inspirados nas Linhas
Orientadoras?
b) Até quando vai o ME
menosprezar a má experiência que
esta "educação sexual" deu noutros
países , e não atender à
legítima preocupação de
tantos
milhares de pais portugueses?
5. Neste sentido, o MOVE
insiste em que:
-
O ME deve suspender,
de imediato, as
acções que estão em curso ao
abrigo do disposto no
documento "Educação Sexual
em Meio Escolar: Linhas
Orientadoras";
-
-
O ME deve revogar
imediatamente o modelo
interdisciplinar/compulsivo
que consta da Lei nº 120/99,
de 11 de Agosto e
corporizado nas Linhas
Orientadoras;
-
O ME deve definir a educação
sexual como área
educativa totalmente
opcional. Esta área
educativa seria desenvolvida
em cada escola no âmbito de
um projecto detalhado e
abrangente, previamente
apresentado e aprovado pelos
encarregados de educação e
conselho directivo da
escola, ao qual todas
as associações e
instituições interessadas em
dar formação na área da
sexualidade se possam
candidatar;
-
Deve existir uma
monitorização muito rigorosa
destes projectos: avaliação
do impacto com um follow
up de pelo menos 2 anos
lectivos, feita por
avaliadores independentes e
com os resultados da
avaliação tornados públicos.
O MOVE irá continuar a publicar mais
documentação no seu site de que
informaremos em
próximos comunicados.
1 de Junho de 2005, Dia
Internacional da Criança
Pelo MOVE -
Movimento de Pais
Isabel
Carmo Pedro
Adriana Menezes
Luís Pereira de Almeida
|
|