"reality-shows", sob pena dos
portugueses verem deteriorada a qualidade da sua cidadania.
Quem o diz é Helena Vaz da Silva, a Presidente do Centro Nacional de
Cultura (CNC), em entrevista à RR.
No mesmo dia em que o CNC subscreve um abaixo-assinado contra as
chamadas "novelas da vida real", ao lado da Associação
Portuguesa de Escritores e da Sociedade Nacional de Belas-Artes, Helena
Vaz da Silva acusa os operadores televisivos de estarem, apenas,
vinculados aos interesses de quem lhes paga, relegando para plano
secundário a formação da opinião pública.
Helena Vaz da Silva reconhece que terá que haver um trabalho de base
para que a opinião pública ganhe consistência e tal implica o recurso
a professores devidamente formados na matéria.
A antiga eurodeputada lamenta que os "reality-shows" em
Portugal sejam bem menos espontâneos com o que se televê um pouco por
toda a Europa. Ainda por cima, é a produção dos programas que
manipula as emoções dos telespectadores.
Para dia 11, parece estar marcada a reunião entre os três
operadores televisivos para analisarem o "dossier reality-shows".
A responsável do Centro Nacional de Cultura manteve há poucos dias
um encontro semelhante e ficou muito mal impressionada.
Em matéria de auto -regulação, Helena Vaz da Silva não está lá
muito optimista: é que a mudança teria de partir do Governo na
reformulação urgente da Alta Autoridade.
E a experiência do estrangeiro poderá, mesmo, ser aplicada em
Portugal sem receios de censura. Não é por acaso, sublinha Helena Vaz
da Silva, que em França o Governo socialista de Lionel Jospin alterou
as regras do programa "Loft Story", um equivalente ao "Big
Brother" ou ao "Bar da TV" por pressão da opinião
pública.