Rádio Renascença - 6 de Junho

Os "reality-shows" e a posição do Governo

O Governo tem de perder o medo de ser autoritário na apreciação dos "reality-shows", sob pena dos portugueses verem deteriorada a qualidade da sua cidadania.

Quem o diz é Helena Vaz da Silva, a Presidente do Centro Nacional de Cultura (CNC), em entrevista à RR.

No mesmo dia em que o CNC subscreve um abaixo-assinado contra as chamadas "novelas da vida real", ao lado da Associação Portuguesa de Escritores e da Sociedade Nacional de Belas-Artes, Helena Vaz da Silva acusa os operadores televisivos de estarem, apenas, vinculados aos interesses de quem lhes paga, relegando para plano secundário a formação da opinião pública.

Helena Vaz da Silva reconhece que terá que haver um trabalho de base para que a opinião pública ganhe consistência e tal implica o recurso a professores devidamente formados na matéria.

A antiga eurodeputada lamenta que os "reality-shows" em Portugal sejam bem menos espontâneos com o que se televê um pouco por toda a Europa. Ainda por cima, é a produção dos programas que manipula as emoções dos telespectadores.

Para dia 11, parece estar marcada a reunião entre os três operadores televisivos para analisarem o "dossier reality-shows".

A responsável do Centro Nacional de Cultura manteve há poucos dias um encontro semelhante e ficou muito mal impressionada.

Em matéria de auto -regulação, Helena Vaz da Silva não está lá muito optimista: é que a mudança teria de partir do Governo na reformulação urgente da Alta Autoridade.

E a experiência do estrangeiro poderá, mesmo, ser aplicada em Portugal sem receios de censura. Não é por acaso, sublinha Helena Vaz da Silva, que em França o Governo socialista de Lionel Jospin alterou as regras do programa "Loft Story", um equivalente ao "Big Brother" ou ao "Bar da TV" por pressão da opinião pública. 

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