Rádio Renascença - 2 de Junho

Exame português: Durão Barroso exige explicações 
O líder do PSD, Durão Barroso, considerou "inaceitável" e "contrário a uma educação responsável" o texto da prova de aferição de português do 6º ano. 


Um texto também criticado por pais e professores, segundo uma notícia publicada hoje pelo jornal "Expresso". 

Em declarações à Agência Lusa, Durão Barroso disse que se trata de "um texto inaceitável, deseducativo e em contradição com os valores que uma educação responsável deve transmitir, sobretudo tendo em consideração a idade dos alunos a que foi submetido". 

O líder dos sociais democratas anunciou ainda que o grupo parlamentar do PSD vai exigir, já na próxima reunião da Comissão de Educação, que se realiza segunda-feira, que o ministro da Educação, Augusto Santos Silva, explique a este órgão quais os critérios seguidos pela comissão de exames do ministério. 

Em causa está o texto escolhido para a prova de aferição de português do 6º ano criticado por alguns pais e professores de português e matemática, numa notícia publicada hoje pelo "Expresso". 

Segundo o jornal, os professores consideram que no excerto escolhido há "um rapaz que foge às responsabilidades, tem falta de escrúpulos e desdém pelos pais. Passa a ideia de que a matemática é uma disciplina maldita e os pais surgem como carrascos. São ideias e atitudes que não deveriam ser divulgadas a nível nacional. O livro de onde foi tirado tem passagens bem mais interessantes". 

O presidente da Confederação das Associações de Pais (CONFAP), Vítor Sarmento, citado pelo semanário, questiona: "como é possível que numa altura em que se pretende promover a cidadania se dê um exemplo de desrespeito e se premeie uma fuga?", acrescentando que se "promove a desresponsabilização e a importância do dinheiro". 

A notícia refere, no entanto, posições favoráveis como a de um professor de português para quem "o texto não incita à violência por tratar-se de uma efabulação", considerando os críticos "muito moralistas". 

O jornal cita ainda Glória Ramalho, directora do Gabinete de Avaliação Educacional, responsável pelas provas de aferição, que defende que o texto "não tece referências menos abonatórias" à matemática ou "uma incitação gratuita à violência". 

O texto é um excerto do livro "O Rapaz e o Robô" de autoria de Luísa Ducla Soares.
 

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