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Público - 9 de Junho
Quercus e Lusoponte Estudam Portagens Diferenciadas
Por RICARDO GARCIA
Ponte 25 de Abril
Carros com três ou mais ocupantes poderão vir a utilizar faixa exclusiva para transportes públicos e pesados.
A associação ambientalista Quercus está a ajudar a Lusoponte - concessionária da travessia rodoviária do Tejo em Lisboa - a estudar a introdução de portagens diferenciadas na Ponte 25 de Abril. De acordo com uma das hipóteses que está em cima da mesa, os carros com alta ocupação - ou seja, com três ou mais ocupantes - poderão vir a utilizar a faixa de acesso à ponte hoje dedicada aos transportes colectivos, pesados e comerciais ligeiros, no período da manhã.
Assim, segundo esta proposta, quem viajar com o carro cheio não só pagará uma portagem inferior como chegará mais rapidamente ao tabuleiro da ponte, desde que a utilização da faixa exclusiva seja bem fiscalizada. Na hora de ponta da manhã, entre as 6h30 e as 9h30, esta via, que fica do lado direito da portagem, estaria reservada apenas aos autocarros, pesados e carros com alta ocupação, ficando de fora os ligeiros de mercadorias.
A Quercus defende, no entanto, que se faça também um corredor preferencial para a alta ocupação à esquerda da portagem, tal como acontece hoje com a Via Verde. Isto evitaria que os carros que não venham de Almada tenham de cruzar muitas vias para atingir a faixa exclusiva à direita.
A Quercus tem participado em reuniões com a Lusoponte e disponibilizou-se a efectuar, para a empresa, contagens detalhadas da ocupação dos automóveis que chegam à portagem, repetindo um exercício que a associação já fez em meados de 1999 - antes da entrada em funcionamento do comboio na Ponte 25 de Abril. Nessa altura, dois em cada três carros (68 por cento) levavam apenas o condutor e 25 por cento transportavam, além do motorista, mais um passageiro. Apenas sete por cento tinham três ou mais ocupantes. O estímulo criado pelas portagens diferenciadas pode vir a aumentar esta fatia.
A questão das portagens diferenciadas deveria ter sido alvo de um estudo específico que a Lusoponte tinha de entregar ao Governo até ao final de Agosto do ano passado - segundo um acordo-quadro assinado entre as duas partes em Julho de 2000. De acordo com o serviço de relações públicas da Lusoponte, um trabalho preliminar foi já entregue, mas a avaliação global ainda não está concluída.
Outro estudo da Lusoponte, que deveria estar pronto em Abril mas também não foi ainda entregue ao Governo, avaliaria as alternativas para uma terceira travessia rodoviária do Tejo. As conclusões a que se chegou indicam que uma travessia entre Algés e a Trafaria seria a forma mais eficiente de descongestionar a Ponte 25 de Abril, distribuindo melhor o tráfego em Lisboa e para fora da cidade, a partir da Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL) - quando esta via for estendida até à Marginal.
A alternativa Chelas-Barreiro, segundo os dados na posse da Lusoponte, roubaria mais tráfego à Ponte Vasco da Gama e menos à 25 de Abril.
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