Público - 8 de Junho

Aborto no Debate Sobre Mães-estudantes

Projecto do PCP aprovado

Comunistas aceitaram retirar referência à interrupção voluntária da gravidez como método de prevenção

A Assembleia da República aprovou ontem, com a abstenção da PS, o projecto de lei do PCP com medidas de apoio aos pais e mães estudantes e chumbou, graças ao voto contra do PS, o projecto de lei do PSD sobre gravidez na adolescência que, além de prever esses apoios, propunha a promoção de campanhas nacionais de divulgação e informação sobre a sexualidade juvenil e o desenvolvimento de centros de atendimento a adolescentes.

No debate dos projectos, a questão principal acabou por ser saber se o aborto é ou não um método preventivo da gravidez. É que na exposição de motivos do projecto do PCP, lê-se: "O fundamental do combate à gravidez adolescente está na prevenção: na educação sexual, no planeamento familiar, no acesso aos métodos contraceptivos, na despenalização voluntária da gravidez."

Uma citação que inquietou o PSD e o CDS-PP, partidos que até manifestaram o seu acordo ao articulado. "A despenalização da interrupção voluntária da gravidez não previne a gravidez, agora tem um papel fundamental no combate à gravidez indesejada", respondeu a comunista Margarida Botelho, depois de questionada por David Justino, do PSD. Embora salientassem que o que iria estar em votação não era a exposição de motivos, mas apenas o articulado, os comunistas aceitaram deixar cair a exposição de motivos num gesto de boa vontade para com a direita parlamentar, que foi retribuído com o voto favorável de PS e PSD ao seu projecto. O PS absteve-se, apesar de o secretário de Estado do Ensino Superior ter ido ao plenário dizer que concordava com os princípios do projecto comunista.

Pior sorte teve o projecto do PSD, embora tenha contado com o voto favorável do PCP, além do do CDS-PP, e a abstenção do Bloco de Esquerda. O PS chumbou-o por considerar que as propostas sobre centros de atendimento a adolescentes e sobre campanhas de prevenção já estão em curso. Nuno Freitas, o seu autor, viu assim chumbado pela segunda vez o seu projecto sobre gravidez na adolescência, que já tinha sido prejudicado por ter sido envolvido na polémica sobre a pílula do dia seguinte.

E.L.

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