Público - 30 de Junho

Em 2000 Nasceram Mais Três Mil Bebés do Que no Ano Anterior 
Por BÁRBARA SIMÕES

Total de 119.279 nados-vivos

Substituição de gerações continua longe de estar garantida


O ano 2000 não interrompeu a linha ascendente retomada em 1996. Pela quinta vez consecutiva, voltaram a nascer mais crianças em Portugal do que no ano anterior. O Instituto Nacional de Estatística (INE) registou um total de 119.279 nados-vivos, número que traduz um aumento de 2,8 por cento (mais 3241 bebés) em relação a 1999. Os dados são provisórios. 

Mais uma vez, o crescimento foi primeiramente detectado no Instituto de Genética Médica (IGM) Jacinto de Magalhães, no Porto, a sede nacional do "teste do pezinho" onde são analisadas as amostras de sangue recolhidas no calcanhar dos recém-nascidos, para despistar doenças graves que podem provocar atrasos mentais profundos. Como a taxa de cobertura deste diagnóstico precoce está já acima dos 99 por cento, os números do instituto são sempre um indicador bastante fiável quanto à oscilação dos nascimentos. 

Desta vez, foram estudados 118.554 recém-nascidos, o que desde logo indicava que os portugueses tinham tido mais filhos do que em 1999, ano em que as estatísticas mostram que houve 116.038 nados-vivos. "Alguma coisa há-de ser positiva no nosso país", comenta o director do IGM, Vaz Osório, cujo entusiasmo é evidente de cada vez que tem notícias destas para dar. 

Voltando aos indicadores demográficos do INE respeitantes a 2000, constata-se que nasceram mais 4457 rapazes do que raparigas. O mês de Outubro foi aquele em que um maior número de crianças veio ao mundo. Seguiram-se, por ordem decrescente, Setembro, Agosto, Maio e Julho. Fevereiro foi quando se nasceu menos. 

Inversão a partir de 1996
Foi em 1996 que, depois de vários anos em queda, a natalidade voltou a subir significativamente em Portugal. Registaram-se então mais 2646 nascimentos do que em 95. Os Açores, o Norte e a Madeira apresentaram taxas (número de nados-vivos por cada mil habitantes) acima da média nacional. Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, pelo contrário, ficaram aquém. 

A partir daí, o aumento passou a ser uma constante. Em 1999 recuperou-se mesmo o número de nascimentos do início da década. 2000 não quebra o ritmo e apresenta números superiores aos do ano imediatamente anterior. 

De qualquer forma, importa sublinhar que os valores agora atingidos (perto dos 120 mil nados-vivos) continuam bastante longe dos que se verificavam antes de a descida se ter começado a acentuar, daí que se recomende alguma prudência na leitura destes dados (ver caixa). 

Recorde-se que num período de 20 anos - entre 1975 e 1995 - o número de nados-vivos em Portugal caiu brutalmente, passando de 179.648 para 107.184 - menos 72.464 crianças. 
 

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