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Público - 23 de Junho
Campeão da Nova Construção
Por ROSA SOARES
Queda dos juros estimulou sector
Mais de 18 por cento de alojamentos e de 11 por cento de edifícios transformam Portugal num campeão da nova construção. Na qualidade e na recuperação, ficamos quase no fim da corrida ...
O Censos comprova o que é uma evidência para todos: a proliferação de novas construções a nível nacional. No segmento dos alojamentos, o crescimento da última década atinge mais de 18 por cento, e no segmento dos edifícios ultrapassa os 11 por cento.
Esta fúria construtiva, que alterou profundamente a paisagem das principais cidades e das zonas rurais, foi mais acentuada a partir de meados da década de 90. O aumento do poder de compra e a forte descida das taxas de juro funcionaram como uma espécie de "rastilho de pólvora" num país onde a ideia de ter casa própria assume uma importância extraordinária. A falta de alternativas ao nível do arrendamento, em especial devido ao congelamento das rendas, e a ambição do sistema bancário -já com os primeiros bancos estrangeiros instalados no mercado - geraram uma verdadeira corrida à captação do crédito à habitação e promoção imobiliária em geral.
As empresas de construção civil, que nesta década experimentavam alguma pausa nas obras públicas, também canalizaram parte das suas energias para a promoção imobiliária, quer de alojamentos quer de serviços. Este dinamismo garante a Portugal o estatuto de campeão da nova construção. Já a parte de recuperação de um vasto universo patrimonial em degradação não mereceu atenção e parece continuar adiada. Ao nível da qualidade da nova construção há muitas reservas, cujas consequências serão mais visíveis dentro de alguns anos.
A euforia construtiva entrou claramente em estagnação desde meados de 1999, podendo considerar-se que o ano de 2000/2001 já foi de congelamento de muitos projectos. A satisfação de grande parte das necessidades das famílias no que respeita a habitação própria, o inflacionamento dos preços mas, fundamentalmente, a subida das taxas de juro, imobilizaram, quase por completo, o sector. Para se ter uma ideia da subida das taxas de juro, a Euribor - o principal indexante utilizado no crédito à habitação, atingiu o seu valor mais baixo nos 2,6 por cento, verificado em Maio de 1999. A partir desse dia começou a subir, atingindo valores superiores a 5 por cento em Junho de 2000. No último ano, as taxas voltaram a descer e ontem, este mesmo indexante, a que os bancos juntam ainda a sua margem de lucro, estava nos 4,315 por cento.
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