Público - 23 de Junho

Famílias Portuguesas Estão Mais Pequenas 

Individualismo crescente e crédito à habitação mais fácil influenciou resultados

As famílias portuguesas caminham cada vez mais no sentido da "atomização". Desde o último recenseamento geral da população, em 1991, o número médio de pessoas por família decresceu em todas as regiões do país: de uma média nacional de 3,1 desceu-se para 2,8. Ainda assim, um número superior à média europeia. 

Há uma década atrás, a média na região de Lisboa era de 2,9, no centro era de 3, o Algarve apresentava 2,9 e o Alentejo 2,9. Os dados preliminares ontem divulgados registam uma uniformização na dimensão média do agregado familiar nestes regiões, ficam pelos 2,6, o valor mais baixo do país. 

A diminuição fica a dever-se a vários factores. A baixa da taxa de fecundidade e do número de agregados complexos (com mais de uma geração) é um deles, o aumento do número de jovens que procuram a independência mais cedo, vivendo sozinhos antes de casarem ou em regime de coabitação é outro. E, embora os dados preliminares ainda não o revelem, a socióloga da família do Instituto de Ciências Sociais (ICS), Karin Wall, acredita que tenha aumentado grandemente o número de pessoas a viver sozinhas, jovens independentes, mas também divorciados. No Alentejo, contudo, a diminuição deve-se a à existência de uma população idosa que, muitas vezes, vive sozinha ou apenas em casal. 

No extremo oposto, encontram-se as regiões com uma média de membros por família superior, que até ultrapassam a média nacional. É o caso da Madeira (de 3,8 passou para 3,3) e dos Açores (de 3,7 passou para 3,3), logo seguidos da região Norte, que de 3,4 passou para 3. Segundo a investigadora, estas são as regiões, ligadas a contextos mais rurais, em que há menos tendência para os jovens se autonomizarem do agregado, porque a visão da família continua a ser tradicionalista, o que associa a dificuldades económicas. 

Apesar da diminuição da média, Portugal, juntamente com outros países do sul da Europa, continua acima da média europeia. De acordo com dados de 1994, refere a socióloga, a Grécia e a Itália tinham uma média de 2,8, só superados pelos 3,3 da Irlanda. Os países do norte apresentavam os valores mais baixos: a Dinamarca, por exemplo, tinha uma média de 2,2. A média de média de membros da família a nível comunitário andava pelos 2,6. 

Neste novo Censos, verificou-se também um crescimento de 18,5 por cento do número de famílias, relativamente próximo do crescimento nos alojamentos (20,1 por cento). Os dados são reveladores de um individualismo crescente na vida social, refere a socióloga, mas também são prova de que aumentou o poder de adquirir casa própria, nomeadamente devido aos créditos bonificados para jovens. 
 

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