Chicco" e dos
"Ovos de encaixe" da Playskool
Céu Neves
ALERTA. Brinquedos para crianças nem sempre respeitam a sua
segurança
A "Casinha de campo Chicco" e os "Ovos de encaixe
Hasbro", da Playskool, são "perigosos", considera a
Comissão de Segurança. Têm peças muito pequenas, apresentando o
"risco de sufocação", refere este organismo presidido pelo
Instituto do Consumidor. Riscos, aliás, confirmados já que foram
acidentes com crianças que motivaram os dois processos.
Uma mãe denunciou à Inspecção-Geral de Actividades Económicas (IGAE)
um acidente com a filha de 18 meses que quase sufocou ao introduzir na
boca a peça em forma de joaninha da "Casinha de campo Chicco".
O processo seguiu para a Comissão de Segurança em matéria de
serviços e bens de consumo. Esta considera que o brinquedo pode
"colocar em perigo a saúde e segurança das crianças",
recomendando que seja retirado do mercado, bem como "produtos
similares".
O mesmo pedido é feito à empresa que comercializa os brinquedos da
Playskool. Em causa os "Ovos de encaixe Hasbro", para
crianças com mais de 12 meses. Um bebé de 13 meses "quase sufocou
ao introduzir na boca uma parte do ovo de plástico". A mãe
apresentou queixa à Deco.
Estes foram dois dos processos concluídos este ano pela Comissão de
Segurança. Trata-se de brinquedos de empresas especializadas em artigos
para criança e que deveriam dar todas as garantias de qualidade. Mas a
segurança "é precária", diz o organismo, alertando para os
perigos de peças similares que apresentem o risco de sufocação.
Este ano, a Comissão de Segurança concluiu 12 processos, alguns dos
quais encetados em 1997. Um destes diz respeito aos brindes
distribuídos em máquinas de cem e 200 escudos. A Comissão considerou
que havia "riscos potenciais de cortes, queimaduras, ou outros
ferimentos, particularmente para as crianças, dada a mistura de
produtos distribuídos (brinquedos e objectos para adultos, como
corta-unhas e isqueiros) e a ausência de informações ou indicações
quanto ao seu uso". Propôs ao Governo que promova legislação,
nomeadamente para proibir tal venda.
Ainda em 1997, o Centro de Arbitragem de Conflitos de consumo de
Coimbra e Figueira da Foz reclamou sobre um televisor Philips, modelo
K-40, por poderem apresentar defeitos de fabrico na soldadura de alguns
componentes, tendo-se registado pelo menos dois casos de incêndio.
Agora, foi pedido à Philips que fizesse um aviso na imprensa e um
rastreio exaustivo dos aparelhos ainda em funcionamento.
Entre os 12 processos analisados, os isqueiros em miniatura, imitando
revólveres, latas de refrigerantes, telemóveis,
automóveis e animais, estão em maior número. A comissão considera
tais imitações perigosas, impondo a sua retirada do mercado.
A IGAE pediu um parecer sobre os comprimidos "Herbal ecstacy",
vendidos à porta das discotecas. Foram considerados
"perigosos" por conter efedrina, substância que pode provocar
convulsões, apoplexias, ataques cardíacos e, mesmo, a morte.
Gel e sais de banho comercializados em embalagens semelhantes às das
bebidas foram vetados por gerar confusão nos consumidores, um risco
sobretudo para as crianças que podem ingerir o produto. Já quanto a
brinquedos imitando conjuntos de cozinha, "Cooking play set" e
"Play food", a Comissão entende que não tem elementos para
avaliar a situação e remeteu os casos para o IGAE.