desestabilizadores
nas salas de aulas
O DN publica hoje uma síntese do último conjunto de relatórios que
a Inspecção-Geral de Educação (IGE) facultou à comunicação
social. Para terminar a publicação destas avaliações, divulgamos o
diagnóstico das escolas da Grande Lisboa.
LISBOA
Secundária do Restelo (1064 alunos). Uma escola situada em pleno
centro urbano que recebe "um número significativo de alunos de um
meio sócioeconómico elevado". O relatório começa por enaltecer
as condições de segurança que este estabelecimento com mais de vinte
anos oferece aos estudantes, mas diz que há frequentes queixas de
roubos nas imediações.
Critica, por outro lado, a falta de "espaços de convívio
exteriores agradáveis", especialmente "nos dias de chuva ou
de muito frio". As instalações desportivas também "são
bastante precárias e estão muito aquém" do que seria desejável.
O ambiente escolar é quase irrepreensível e, segundo o documento, só
fica manchado pela inexistência de uma associação de estudantes.
Secundária D. João de Castro (642 alunos). Ao contrário do exemplo
anterior, esta escola situa-se num bairro predominantemente operário e
popular, na freguesia de Alcântara. O facto de ser uma comissão
provisória quem se encarrega de liderar o projecto educativo acarreta
consequências negativas.
Pouca articulação entre os vários sectores, mau funcionamento do
sistema de comunicação interna e gestão financeira deficiente são
apenas algumas das críticas. Para além disso, os inspectores destacam
a necessidade urgente de se efectuarem obras em quase toda a estrutura.
Não menos grave, conclui-se, é o facto de não haver "qualquer
plano de evacuação em caso de sinistro".
ARREDORES
Moita - EB D. Pedro II (820 alunos). O Alto de S. Sebastião, onde a
D. Pedro II se insere, é um meio "que alberga famílias numerosas,
sendo algumas oriundas de países de língua oficial portuguesa".
Por isso, diz o documento, "há um número significativo de alunos
com carências socioeconómicas e culturais". Mesmo assim, o
ambiente é bastante positivo. A isto não será alheio a boa oferta
curricular e o sistema de recolha de informação apoiado num conjunto
de inquéritos realizados pelos directores de turma.
Oeiras - Secundária Aquilino Ribeiro (749 alunos). Uma escola que
tem crescido na proporção da área envolvente, onde se desenvolveram
grandes bairros sociais. Por isso, mais de 40 por cento dos estudantes
beneficiam da Acção Social Escolar. A elevadíssima mobilidade do
corpo docente não ajuda a integrar estes alunos no respectivo meio.
Mesmo assim, a maior parte do trabalho administrativo e burocrático é
feito com razoável eficácia. O mesmo não acontece com os debates
"de natureza pedagógica" onde se detectou alguma
"dispersão".
Almada - EB Monte da Caparica (605 alunos). Os "comportamentos
indisciplinados" e as "posturas menos correctas" são
aspectos comuns. Muitas vezes citada pelos meios de comunicação social
como um exemplo "complicado", a escola do Monte da Caparica é
um reflexo do contexto social "multi-étnico" em que se
insere. Curiosamente, o relatório refere-se a essas dificuldades de
forma muito ténue. Não se esconde, contudo, que há um número
razoável de alunos "difíceis no relacionamento interpessoal, que
provocam um abaixamento dos níveis de respeito pelos outros", bem
como "do sentimento de confiança e segurança nos restantes
alunos". O texto ainda admite que a postura desses elementos é
"desestabilizadora, com prejuízo evidente para o trabalho na
aula" e acrescenta uma denúncia da associação de pais: há
situações de "agressividade nos espaços de recreio".
Amadora - EB José Cardoso Pires (574 alunos). Tal como se verifica
em outras localidades limítrofes, também aqui os pais apresentam
grandes dificuldades em acompanhar a vida escolar dos filhos, uma vez
que trabalham, na sua maioria, fora do concelho. A escola não dispõe
de serviços de Psicologia nem Orientação profissional mas, ao
contrário do que é frequente, possui "muito boas instalações
para a prática de Educação Física". No que respeita à
avaliação dos alunos, o relatório denuncia "estratégias
insuficientemente aferidas".
Cacém - Secundária Matias de Aires (1163 alunos). Dos 118
professores, 117 exercem actividade lectiva e um dedica-se
exclusivamente ao apoio educativo. A mobilidade do corpo docente é
muito grande. Existe uma percentagem significativa de alunos a receber
apoio económico. Apesar de se verificar uma articulação curricular
entre os diferentes anos de escolaridade, o mesmo não acontece a nível
interdisciplinar. A participação dos encarregados de educação
"ainda não atingiu um nível que permita uma estreita ligação
entre a escola e a família". Os espaços físicos são plenamente
aproveitados, havendo até salas de trabalho para docentes.
Camarate - EB Mário de Sá-Carneiro (1001 alunos). O nível de
sucesso escolar é considerado baixo, sendo que a taxa de transição
média é de 73%. Existe um número bastante elevado de alunos com
necessidades educativas especiais que são apoiados por três
professoras dedicadas exclusivamente a essa função. Mais de metade dos
estudantes recebe apoio da Acção Social Escolar. As áreas de
intervenção prioritária definidas pelos peritos da Inspecção Geral
de Ensino são: o espaço escola (as instalações encontram-se num
estado de degradação avançado); a área curricular, a área de
relacionamento comunitário e a área de formação contínua centrada
na escola.
Caneças - EB dos Castanheiros (919 alunos). Dos 99 docentes, 98
exercem actividade lectiva e apenas um exerce actividade de apoio
educativo. Não existe uma coordenação "verdadeiramente
eficaz", entre os docentes, relativamente à gestão curricular e
às actividades e projectos das turmas. A participação dos
encarregados de educação relativamente às retenções e aos planos de
recuperação dos alunos, restringe-se à tomada de conhecimento das
situações. Os alunos dedicam-se à preservação do ambiente e do
património escolar. "O espaço escolar é aprazível e apresenta
qualidade ao nível da segurança/vigilância".
Cascais - Secundária da Cidadela (918 alunos). A escola tem
problemas na manutenção da segurança devido à degradação da
vedação que permite a entrada de estranhos nas instalações. Os
laboratórios, se bem que carecendo de ser melhorados "no que
respeita a apetrechamento, respondem adequadamente à prática lectiva
das disciplinas experimentais". A articulação entre as diferentes
áreas disciplinares não é planificada. A sala de estudo e o Apoio
Pedagógico Especial prestam apoio individual ou em pequenos grupos,
para os alunos com necessidades educativas especiais. Os peritos
recomendam a implementação de medidas facilitadoras do diálogo entre
todos os actores escolares.
Portela - EB Gaspar Correia (827 alunos). A escola tem alunos com
grandes carências socioeconómicas e culturais. Considerando o grande
volume de actividades de apoio educativo que foi necessário desenvolver
destacaram-se 40 professores só para o efeito. Atendendo ao forte
predomínio de população de diferentes etnias, os peritos consideram
que "é de admirar que apenas 16% dos transitados não tenha obtido
sucesso a Língua Portuguesa". A articulação entre os diferentes
docentes da turma é feita, tanto nas reuniões como nos encontros
informais, nos intervalos das aulas. Não existe um trabalho
sistemático a este nível. Verificou-se uma boa gestão e optimização
dos recursos físicos existentes.
Seixal - Secundária do Moinho da Maré (912 alunos). Na
generalidade, os alunos desta escola têm significativos problemas de
integração (são jovens provenientes de famílias originárias das
ex-colónias, ex-emigrantes e orientais). A partir dos problemas
identificados, a escola definiu, entre outras, as seguintes prioridade:
sensibilizar a comunidade escolar para o direito à diferença; promover
uma escolaridade de segunda oportunidade para os que dela não
usufruíram; fomentar a intervenção das famílias e dos encarregados
de educação. O número de alunos com apoio educativo cifra-se em 130.
Os espaços são exíguos.