Diário de Notícias - 20 de Junho

Ensino privado critica Estado

Propostas governamentais não satisfazem as instituições e alunos do ensino particular e cooperativo, acusa a APESP

DN-Eduardo Tomé

Oitenta e uma instituições de ensino superior rejeitaram os anteprojectos de diplomas de alteração do estatuto do ensino particular e cooperativo e de criação, alteração, suspensão e extinção de cursos, por considerarem que não servem os interesses dos estudantes nem do ensino superior.

Estas instituições, que se reuniram na segunda-feira em Lisboa, numa sessão promovida pela Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP), consideram que estas propostas governamentais, que regulam o funcionamento deste subsistema, nomeadamente a composição do corpo docente, traduzem "o desprezo e o preconceito com que o Ministério da Educação" olha para este sector.

Uma das principais críticas apontadas prende-se com a filosofia das propostas ministeriais, com as instituições de ensino superior particular e cooperativo a contestarem a tendência para um ensino estatizante, único e fechado.

Numa posição pública recente, a APESP explica a sua discordância para com as propostas, particularmente no que respeita à intenção de limitar a liberdade de ensino.

"Efectivamente, quando o autor do projecto entende que ao Estado incumbe, como dever constitucional, limitar a liberdade de ensino, parece estar tudo dito, porquanto em todo o articulado perpassa a ideia e o claro objectivo de limitar o exercício dessa liberdade às instituições privadas", lê-se no comunicado apresentado por esta associação.

Além disso, consideram que os dois anteprojectos surgem na sequência de uma lei que é classificada como inconstitucional: a Lei da Organização e Ordenamento do Ensino Superior.

A posição ministerial nos anteprojectos e noutras medidas de ordem política e administrativa é encarada assim como uma "desconsideração do Ministério da Educação pelos estabelecimentos de ensino superior particular e cooperativo, na sua globalidade".

Para as 81 instituições de ensino superior particular e cooperativo, as medidas do Ministério da Educação põem em causa a estabilidade imprescindível ao desenvolvimento das actividades.

Num comunicado da Associação Portuguesa de Ensino Superior Particular, as instituições afirmam condenar "vivamente a postura do Governo", que consideram "discriminatória em primeiro lugar para os estudantes deste subsistema de ensino e, de um modo geral, para todas as instituições de ensino não estatal, sistematicamente relegadas para um plano de supletividade e secundarização".  

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