Correio da Manhã - 23 de Junho

FAMÍLIAS CADA VEZ MAIS PEQUENAS

Portugal tem, neste momento, 10,3 milhões de habitantes, a maior parte a viver em Lisboa e Porto


Portugal tinha, a 12 de Março último, 10,3 milhões de habitantes, dos quais 3,6 milhões estavam concentrados na região norte do país, referem os dados preliminares do Censos 2001, ontem divulgados oficialmente. Registou-se também um crescimento de 18,5 por cento no número de agregados familiares, mas esse aumento não se reflecte, contudo, a sua dimensão, já que, em média, cada família portuguesa é constituída por 2,8 elementos, ou seja, não chega a haver três pessoas por família. Nos extremos situam-se as regiões autónomas dos Açores e da Madeira registem, com 3,3 pessoas por família, e o Algarve, onde as famílias são as menores do país com uma média de 2,5 elementos. Caminha-se, segundo o INE, para a atomização da família. O número de residentes em Portugal - pode também aferir-se dos dados ontem divulgados -, quase que duplicou desde 1900 quando a população era de apenas cerca de 5,5 milhões. Excluindo a década entre 1960 e 1970, a população residente no país tem vindo a crescer gradualmente. O aumento da população residente na última década (450.900 pessoas) ficou a dever-se ao fluxo migratório que o Instituto Nacional de Estatística estima em cerca de 361.100 pessoas, acrescido de um crescimento natural (nascimentos/mortes) de 89.800 pessoas, o que permite concluir que Portugal deixou de ser um país de emigração para ser um "porto" de imigração. Albufeira, com 47,6 por cento, Sintra com 39,3 por cento, e S. Brás de Alportel, com 33,2 por cento, são os concelhos portugueses que maior percentagem de crescimento da população registaram na última década. Por outro lado, os concelhos de S. Vicente, na Madeira, com menos 20,8 por cento, e de Boticas, Penamacor, Vila Velha de Rodão e Gavião (todos no interior do continente português) foram as regiões que maior quebra de população registaram em termos populacionais. Dos dados estatísticos, pode concluir-se também que o Algarve, com 14,8 por cento, foi a região do país que registou um maior crescimento populacional nos últimos 10 anos, enquanto a Madeira e o Alentejo foram as que perderam mais residentes, com, respectivamente, 4,3 e 2,7 pontos percentuais negativos. No conjunto do país, o ganho populacional foi de 4,6 por cento. A região norte viu crescer seis por cento o número de residentes, o Centro 3,4 por cento, Lisboa e Vale do Tejo 4,8 por cento e os Açores 1,8 por cento. 

Mulheres continuam maioritárias 

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, as mulheres, em número de 5.330.024, continuam a ser o sexo predominante no país, contra 4.988.060 homens. Apesar de maioritárias, as mulheres viram, no entanto, diminuir ligeiramente a sua superioridade numérica perante o sexo masculino já que os dados censitários de 1991 apontavam para 93 homens por cada 100 mulheres e os preliminares de 2001 referem a existência de 94 homens por cada 100 mulheres. A operação censitária permitiu apurar que Portugal regista actualmente 3.734.056 famílias, 5.036.149 alojamentos e 3.179.534 edifícios, números que registaram aumentos de, respectivamente, 18,5 por cento, 20,1 por cento e 11,1 por cento relativamente a 1991. Apesar disso, o crescimento destes dois factores na última década foi inferior ao período entre 1980 e 1990, quando se verificaram aumentos de 14 por cento e de 22 por cento no número de, respectivamente, edifícios e alojamentos. No cômputo das famílias, alojamentos e edifícios, o Algarve foi também a região que maiores aumentos verificou com, respectivamente, 30,6 por cento, 30,2 por cento e 15,7 por cento, seguida da região norte, onde há mais 22 por cento de famílias, 25,1 por cento de alojamentos e 12,9 por cento de edifícios. Lisboa e Vale do Tejo e o Centro do país registaram crescimentos de, respectivamente, 17,1 e 17,6 por cento no número de famílias, de 18,6 e 15,9 por cento de alojamentos e de 11,3 e 8,7 por cento de edifícios. O Alentejo foi, também nestes pontos, a região portuguesa que apresentou um crescimento mais baixo ao registar um aumento de 6,8 por cento no número de famílias, 12,5 por cento no número de alojamentos e de 8,1 por cento no número de edifícios. 
 

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