(Transcrito do site http://quarentenatv.tripod.com/)
No dia 24 de Abril de 2001 dirigi - me ao Senhor Procurador Geral da
República solicitando, em nome do respeito pelos Direitos Humanos, uma
providência cautelar no sentido da suspensão imediata do programa
'Mulher não entra', para além da instauração de processo crime e/ou
cível .
Por ofícontece que numa programa emitido na semana anterior à data
acima referida se ridicularizavam valores constitucionalmente protegidos
tais como não discriminação com base no sexo, na orientação sexual
e na raça.
Por ofício da referida entidade de 23.05 de 2001 foi-me comunicado
que o ofício por mim enviado teria sido remetido ao Ex.mo Senhor
Coordenador do Serviço de Apoio da Alta Autoridade para a Comunicação
Social ; concluo portando que a Procuradoria Geral não considerou haver
matéria crime no referido programa.
No dia 26.04 dirigi ofício ao Ex.mo Presidente da Alta Autoridade
para a Comunicação Social solicitando as providências adequadas.
No dia 17.05.01 recebi resposta assinada pelo Presidente em
exercício daquela Alta Autoridade informando que o processo estaria em
instrução.
No jornal Expresso de 28/04 era noticiado o facto de que a Presidente
da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres tinha
apresentado um pedido de suspensão do programa à Procuradoria Geral da
República. Ignoro se outro órgão da comunicação social referiram o
facto.
Fui no dia 3 de Junho de 2001 alertada por várias entidades
relativamente ao conteúdo do programa da série acima referida, exibido
no passado sábado dia 2 do corrente à 1.05 . Neste programa é
apresentada uma entidade com o nome 'Fundação para a Igualdade e para
os Direitos das Mulheres' onde a 'directora' é submetida a um
tratamento de hormonas. A figura da directora, vestindo cuecas e
soutien, deitada numa marquesa, é representada por uma mulher com ar
degradado que bebe cerveja durante o tratamento e exibe uma tatuagem no
braço em que figura um coração e a legenda 'amo-te Ester'. A
ligação do nome da 'fundação' apresentada com a Comissão para a
Igualdade e para os Direitos das Mulheres de que sou presidente dirijo
é óbvia.
A insinuação de que as mulheres que lutam pela a igualdade são
mulheres desequilibradas, velhas, alcoólicas e lésbicas é evidente.
Lembro que o referido programa, violando princípios de direitos
humanos, constitucionais e comunitários, sistematicamente ridiculariza
questões conexas com a igualdade de oportunidades e não
discriminação com base no sexo ou na orientação sexual.
A ilustrar o grau de desrespeito pela Pessoa, refiro que no mesmo
programa se alude a um método eficaz para diminuir o stress: espancar
indivíduos sem abrigo.
Pelas razões acima referidas, estou a preparar uma queixa crime
contra os responsáveis do programa 'Mulher não entra' e contra todos
os intervenientes no mesmo, dado considerar que os factos acima
referidos são injuriosos e atentatórios da dignidadeda dirigente da
Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, enquanto
mecanismo nacional para a igualdade de oportunidades, da dignidade das
mulheres portuguesas e também da Comissão a que presido.
Vou transpôr este texto para o site Junho = Quarentena..., mas não
quis deixar de pessoalmente lhe dar conta da situação.
Com os melhores cumprimentos,
Ana Maria Braga da Cruz
Presidente da CIDM