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5 de Junho de 2000 - Ecclesia
Família e Fiscalidade
Fernando Castro
No passado dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança, a APFN Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas promoveu uma conferência sobre
"Família e Fiscalidade", presidida pela Ministra da Igualdade
e tendo como conferencistas o Dr. Alberto Ramalheira, Prof. Doutor Diogo
Leite de Campos, Dra. Luisa Anacoreta Correia e Dr. Francisco Sarsfield
Cabral. Nessa conferência, foi apresentado o Caderno APFN - "Família
e Fiscalidade", da autoria da Dra. Luisa Anacoreta Correia, e que
se encontra disponível no site da associação em
http://www.apfn.loveslife.com.
Das apresentações efectuadas, ressaltou que:
1 - O IRS é um imposto injusto, incoerente e promotor de desigualdades
Citando apenas algumas situações de flagrante incoerência e injustiça:
-
O IRC permite deduzir todas as despesas das empresas que sejam necessárias
para o seu funcionamento. Pelo contrário, o IRS, apesar de estar
consagrado no art 67 da Constituição que a família é o elemento
fundamental da sociedade, não permite deduzir as despesas mais
elementares para a sobrevivência dos elementos que fazem parte da família.
- Por exemplo, porque motivo existe uma dedução de 27.950 escudos por
cada sujeito passivo (55.900 por casal) mais cerca de 20.000 por filho?
Os 76.00 por dia destinam-se a quê? Porque motivo a dedução não é
igual, pelo menos, ao salário mínimo anual, por elemento da família?
A família não tem que beber, comer e vestir-se, pelo menos? E não tem que pagar habitação,
transportes, electricidade, a educação dos seus filhos, etc? Ou isto são
luxos?
- Por que motivo a taxa máxima do rendimento do trabalho é de 40% e do
rendimento de capitais é de 20%? Porque o Estado considera que só
trabalha quem não sabe fazer mais nada, e que há que carregá-los com
impostos para estimular a sua imaginação?
- Por que motivo o limite do
seguro de doença é de 27.200 Escudos por ano independentemente da
dimensão da família?
- Por que motivo as despesas de educação penalizam as famílias
numerosas?
2 - O IA é injusto e incoerente
- Por que motivo viaturas de sete lugares não têm todas o mesmo IA? Para
obrigar as famílias numerosas a poderem apenas escolher entre um número
limitado de viaturas existentes no mercado?
3 - A SISA é injusta e incoerente
- Por que motivo ainda existe SISA? E porque é suportada pelo comprador,
que normalmente tem que recorrer a um empréstimo bancário para
concretizar a aquisição, e não pelo vendedor?
4 - A contribuição autárquica penaliza as famílias numerosas
- Por que motivo a contribuição autárquica não entra em linha de conta
com a dimensão da família?
Em resumo:
- O IRS é um imposto que necessita de
ser totalmente revisto, por ser totalmente incoerente com os princípios
segundo os quais foi criado.
- O regime fiscal a que as famílias
estão sujeitas penaliza sobretudo as famílias numerosas, pelo que
o Estado é o principal responsável pelo envelhecimento da população
- A APFN exorta as forças políticas,
e o Governo em particular, a reverem com urgência o regime fiscal
das famílias, dando seguimento aos inúmeros estudos elaborados a
seu pedido nos últimos dez anos.
- O actual regime fiscal das famílias
é ferido de inconstitucionalidade, por violar o disposto nos arts
67, 103 e 104 da Constituição.
A correcção destas anomalias não
implica nenhuma reforma fiscal demorada e eventualmente susceptível de
grandes controvérsias.
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