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Público - 6 de Julho
Quarentena Pode Voltar em Setembro
Por MARIA LOPES
Promotores deixam sugestões às televisões
Depois de um mês de olhos fechados à SIC e TVI, a "Quarentena por uma televisão mais sã" chegou ao fim. Os promotores deixaram um "cabaz" de sugestões às televisões.
A "Quarentena por uma televisão mais sã", iniciativa que apelou ao boicote à TVI, à SIC e canais associados desta última durante o mês de Junho, poderá repetir-se ainda antes do final do Verão. Segundo Joaquim Costa, jurista e promotor da quarentena, as pessoas vão escandalizar-se de novo com a "chuva" de "reality shows" cujo início está previsto para os próximos dois meses - Ilha da Tentação, Confiança Cega, Big Brother 3 e Survivor. "Faz todo o sentido que se volte a pressionar as televisões."
O balanço da primeira "volta" da iniciativa em defesa de uma televisão de qualidade é, de acordo com os seus promotores, "claramente positivo". Joaquim Costa não tem forma de contabilizar as mensagens que foram trocadas sobre o assunto, mas o "site" oficial do boicote, http://quarentenatv.tripod.com - que continuará activo, como ponto de encontro para debater o "telelixo" -, recebeu cerca de 13 mil visitantes durante o mês de Junho. E entre as várias centenas de mensagens do fórum "on-line" registaram-se acesas discussões.
Além de incitar as pessoas a não verem aqueles canais, a quarentena pretendia estender-se também a figuras públicas - para quem foram enviadas centenas de mensagens -, que foram desafiadas a não colaborarem com as estações. "Houve diversas personalidades que manifestaram o seu apoio, mas não houve boicotes concretos. Não tinha ilusões que os políticos aderissem, mas esperava pelo menos que explicassem porque não o faziam. Afinal foi deles que vieram as primeiras críticas", afirma Joaquim Costa.
Houve mesmo quem apelidasse os promotores de "censórios". "Até o secretário de Estado da Comunicação Social meteu os pés pelas mãos. Primeiro apelou a uma movimentação cívica contra os 'reality shows', e depois considerou a quarentena disparatada porque atacava as televisões", comenta o jurista. "Dizia-se que os moldes eram exagerados. Talvez. Mas se não o fosse, ninguém teria falado nela."
Joaquim Costa acredita que este tipo de iniciativa "pode fazer mossa". Paralelamente à quarentena, houve uma outra iniciativa que apelou ao boicote aos produtos dos anunciantes do Big Brother e do Bar da TV. Se apenas uma empresa reconheceu que acabara com o patrocínio, as outras não quiseram falar publicamente no assunto. Mas o número de "spots" diminuiu.
Apesar de defenderem o fim dos "reality shows", os promotores da quarentena sabem que isso é praticamente impossível. Por isso, no início desta semana, enviaram aos operadores de televisão um conjunto de propostas que, segundo Joaquim Costa, até poderiam ser uma achega para o tão falado acordo de regulação da programação. E, na verdade, algumas até fazem parte dos textos que estão em cima da mesa.
Propõe-se aos operadores que emitam "reality shows" e "spots" dos mesmos apenas depois das 22h00, que não se faça a sua promoção nos espaços noticiosos, que se tornem públicos os seus regulamentos, que criem uma comissão conjunta, à qual seriam submetidos para análise prévia os formatos dos "reality shows". Estes apenas poderiam ser emitidos depois do parecer favorável desta. Pede-se ainda a suspensão dos "reality shows" anunciados e da transmissão do programa da SIC Mulher não Entra.
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