Público - 21 de Julho

Formação Parental É Uma das Prioridades do Programa "Escolhas" 

O Programa de Prevenção e de Inserção de Jovens "Escolhas" começou a sua intervenção em 19 dos bairros mais problemáticos do país no que toca à criminalidade (a intervenção total será de 50 bairros). Três meses no terreno foram o suficiente para perceber que "a formação parental" terá que ser uma das prioridades de acção para promover a inserção de jovens a caminho da marginalidade, comenta o seu coordenador nacional, Eduardo Vilaça. 

Embora todos os bairros, situados nos distritos do Porto, de Lisboa e de Setúbal, tenham problemas diferentes, considera que em muitos casos não vale a pena começar a intervenção junto dos jovens, quando o problema está na família. Neste sentido, é necessário envolver a escola na formação dos pais. "O abandono dos jovens é grande. Há famílias que fecham a porta aos filhos quando saem de manhã". Mas há situações em que este esforço é inglório, se os pais são alcoólicos há que encaminhá-los para programas de desabituação. 

O projecto, que arrancou em Janeiro, conta com 13 coordenadores de bairro e três coordenadores distritais e está a começar por acompanhar cerca de 300 jovens, que já podem ter cometido crimes ou estar em vias de iniciar percursos de criminalidade juvenil. A população alvo está entre os 12 e os 18 anos. Um dos parceiros no programa são as forças de segurança, que colaboram no esforço de sinalização dos jovens mais difíceis. 

Um dos pontos mais inovadores do programa prende-se com a mediação exercida por jovens do próprio bairro. Em Setembro, um grupo de cerca de 15 "mediadores urbanos" deverão iniciar a sua formação no Instituto Português da Juventude. Foi escolhida esta estratégia de aproximação, porque as grandes influências destes jovens vêm do seu grupo de pares. Os mediadores escolhidos têm que ter um perfil de liderança e estar integrados dentro dos grupos de risco. 

A avaliação do sucesso do programa será feita periodicamente pelo Instituto de Desenvolvimento Social, presidido por Edmundo Martinho. Previa-se inicialmente que o programa custasse 65 mil contos, uma vez que não se trata de criar novos recursos mas de os dinamizar, mas o investimento previsto para os três anos em que durará é agora de milhão e meio de contos. 

C.G. 
 

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