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Público - 21 de Julho
Associações "Pró-vida" Criam Federação Nacional "Antiaborto"
Por EMÍLIA MONTEIRO
O objectivo é "mudar a política de família em Portugal"
Federação em números: são seis as associações fundadoras; 30 instituições sediadas em todo o país já mostraram vontade em aderir
As associações criadas aquando do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez vão agora reunir-se numa federação "antiaborto". A "Federação Portugal Pela Vida" deverá ficar totalmente definida hoje, num encontro que vai reunir, em Coimbra, as seis associações fundadoras da nova entidade. Já com os estatutos concluídos e em véspera de serem aprovados, à federação vão juntar-se, muito em breve, mais cerca de trinta associações ligadas à assistência às famílias, à formação e à "protecção da vida". Será este núcleo o responsável pela coordenação nacional dos projectos respeitantes à promoção da natalidade e à política de família. "Queremos ser nós a liderar a política da defesa da vida em Portugal", referiu ao PÚBLICO António Meireles, dirigente da associação "Tudo pela Vida" e dos impulsionadores da nova federação. "Em vez de andarmos a mostrar a nossa disponibilidade para dizermos o que pensamos sobre questões como a educação sexual nas escolas e a pílula do dia seguinte, queremos ser nós a fazer a agenda política", frisa o arquitecto que, desde há já alguns anos, se dedica a ajudar "famílias em crise".
Para além das questões directamente ligadas à natalidade, a "Federação Portugal Pela Vida" pretende ainda intervir em todos os assuntos que dizem respeito às famílias. Entre eles, o mais premente talvez seja mesmo a violência doméstica, "o mais divulgado pela comunicação social e o que afecta mais famílias", refere ainda António Meireles. De resto, dos estatutos da nova organização fazem ainda parte objectivos como a "formação" e a "assistência". "Não podemos ser bombeiros chamados permanentemente a acudir a situações de crise", salienta Meireles, apontando logo de seguida a "necessidade de formação das pessoas" como a solução para muitos dos problemas das famílias portuguesas.
Já há muito pensada, a federação das associações "antiaborto" fez-se sentir sobretudo na altura em que algumas associações "pró-vida" do Norte do país apresentaram no Tribunal Administrativo do Porto o recurso contencioso com vista à nulidade do acto administrativo praticado pelo Infarmed em que é autorizada a venda da chamada "pílula do dia seguinte". "Esta decisão é completamente contra a decisão tomada pelos portugueses quando disseram 'não ao aborto' no referendo realizado em 1998", explica António Meireles. E finaliza: "A união faz a força e com as associações juntas e organizadas, a política de família vai ser obrigada a mudar".
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