Público - 11 de Julho
Acordo de Regulação Entre Televisões nas Mãos dos
"Patrões"
Por MARIA LOPES
Texto final pode ser aprovado dentro de uma semana
A proposta final do acordo de regulação entre operadores de
televisão está, desde ontem, nas mãos dos conselhos de
administração. Os últimos ajustes, se necessários, deverão ser
feitos durante os próximos dias e se todos estiverem de acordo com o
texto, este poderá ser assinado dentro de uma ou, no máximo, duas
semanas.
Foi um Pegado Liz confiante que ontem, no final da reunião da Alta
Autoridade para a Comunicação Social (AACS) com os três operadores,
anunciou este "passo significativo" do processo que se arrasta
há mais de um mês e não se cansou de falar de "consenso". E
até afirmou que "as posições estavam muitos próximas desde o
início". "Saímos com um texto de consenso alargado" que
"dá passos significativos em relação à lei", afirmou este
membro da AACS.
Quanto ao teor do acordo, Pegado Liz apenas adiantou que tem sete
cláusulas, uma delas sobre uma comissão arbitral que, em caso de
conflito, analisará as situações duvidosas mas que, quando a lei não
for cumprida, não poderá fazer mais do que dizer que houve infracção
da lei. Pegado Liz não acha isso pouco: "E uma reprimenda pública
não é uma sanção vergonhosa?" O acordo tem uma outra cláusula
que prevê a existência de pequenos espaços de privacidade dentro dos
"reality shows", durante os quais os concorrentes não seriam
filmados.
A informação, afinal também poderá ser regulada. As divergências
existentes há uma semana entre a SIC e a TVI sobre incluir ou não no
acordo uma cláusula que proibisse a inclusão de peças sobre os "reality
shows" nos principais espaços informativos, parecem ter ficado
sanadas de um momento para o outro ainda que ninguém tenha explicado
como. Aliás, segundo aquele membro da Alta Autoridade, as divergências
na verdade nunca existiram. Mais, nas palavras do porta-voz da AACS,
Carlos Veiga Pereira, os documentos que os dois operadores forneceram à
comunicação social e que deram origem a notícias sobre essas
divergências seriam "falsos".
Segundo Pegado Liz, o possível acordo "é um compromisso de que
as televisões vão respeitar o corpo e o espírito da lei" porque,
afinal, "se as partes estiverem de acordo é mais fácil haver
cumprimento da lei". Questionado sobre se houve ou não violação
da lei nos casos que provocaram toda esta polémica - nomeadamente a
transmissão de uma conversa privada de uma concorrente d' O Bar da TV
com os pais - Pegado Liz foi directo: "Não sei se foi violada
frontalmente, talvez tenha havido mais clamor que outra coisa."
E reconhece, afinal, que este acordo pode não servir de muito.
"Admito que se vão repetir com certeza [violações à lei]. Um
acordo de boas práticas não evita a violação."