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Jornal de Montemuro - 22 de Julho
Controlistas admitem finalmente: "saúde reprodutiva" equivale ao aborto
Delegado canadiano admitiu que o aborto faz parte dos serviços de saúde sexual e reprodutiva
Finalmente os grupos de pressão anti-vida admitiram o que o movimento pró-vida vinha advertindo desde alguns anos: que o termo "saúde reprodutiva" que os grupos de pressão tentam introduzir em acordos internacionais a todo o nível, não é senão um eufemismo para o aborto. A confissão paralisou a sala de reuniões da sede das Organização das Nações Unidas (ONU) onde se estava a realizar a reunião preparatória da Cimeira Mundial sobre a Infância a realizar-se de 19 a 21 de Setembro.
O documento sobre a infância é um dos espaços em que os partidários do controlo da natalidade e o aborto pretendem introduzir o conceito de "saúde reprodutiva". Enquanto se debatia a secção em que a minuta assinala que se deve "promover plena igualdade de género de acesso igualitário aos serviços incluindo atenção à saúde sexual e reprodutiva", um delegado norte-americano solicitou ao seu congénere canadiano, John Von Kauffman, que explicasse o que se entende por estes "serviços". "O distinto delegado dos Estados Unidos sabe que, com efeito e odeio, usar esta palavra, tais serviços incluem o aborto", respondeu o delegado canadiano, no que se converteu na primeira admissão pública de que os "serviços da saúde reprodutiva" são eufemismo para controlo da natalidade e aborto. Como resposta, Terry Miller, delegado norte-americano, recordou a "Mexico City Policy" assumida pelos Estados Unidos, segundo a qual este país não pode promover o aborto fora das suas fronteiras, e exigiu que em consequência, o termo fosse posto entre vírgulas para sua posterior discussão.
A objecção recebeu imediatamente o apoio das delegações da Santa Sé e do chamado "Grupo do Rio", composto por 19 países latino-americanos, ainda que este grupo logo se dividiu quando a Argentina tomou uma postura ambígua - rompendo a sua tradicional postura pró-vida - e o delegado do Perú assumiu uma surpreendente atitude favorável ao aborto e ao controlo da natalidade, apesar de o aborto ser ilegal neste país. Mons. Reinert, um dos delegados da Santa Sé expressou a sua surpresa e assinalou que "se esta conferência aceita esta definição do termo serviços, temos que rever este e outros documentos semelhantes em que este termo é usado. Não podemos aceitar esta linguagem". Por sua parte, o porta voz do Grupo do Rio, o delegado do Chile, assinalou que o grupo decidia romper neste campo com a sua usual aliança anti-vida com a União Europeia, e assinalou que "nunca tínhamos antes escutado que a palavra serviços incluía o aborto, por isso estamos de acordo com a sua eliminação."
John Von Kaufman tentou conter o debate abortista assinalando que "cada país pode entender esta palavra como deseje", e assinalou que a Santa Sé recusaria de igual modo este conceito. A disputa estabeleceu a primeira diferença em oito anos entre a postura norte-americana hoje mais perto à da Santa Sé e a delegação canadiense, encabeçada pelo Senador Landon Pearson, que mantém a sua postura anti-vida e anti-família. Segundo os especialistas, a admissão de que os "serviços de saúde sexual e reprodutiva" incluí o aborto é um feito sem precedentes nas negociações das Nações Unidas, e provavelmente não teria vindo à luz do dia se a pergunta não fosse feita por uma delegação como a norte-americana. Os mesmos especialistas assinalam que, numa reunião como a que se vem preparando, referida à infância, é difícil para muitos delegados entender porque se vem discutindo o aborto. O debate, opinam, não fez mais que evidenciar que as delegações como as do Canadá e da União Europeia não querem desaproveitar nenhuma reunião desde a do meio ambiente até à mulher, para impulsionar o tema do aborto em todas as suas frentes. [ACI]
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