29 de Julho de 200 - Público

"Fechados na Rua" 

Por CONSTANTINO LIMA SANTOS (JUGUEIROS, Felgueiras)

Creio ler no editorial do PÚBLICO de sexta-feira, 21 de Julho, a sua preocupação pela família como forma de resolver os graves e dolorosos problemas que os cidadãos enfrentam na violência do dia-a-dia. O problema é que os governos alinham no diz-que-disse que a família "tradicional" está em extinção. Porém, ao contrário da baleia branca ou do fabrico de cestos de vime, não se notam as esperadas movimentações para a reforçar. Dizem que ao desaparecimento da família "tradicional" sucederá uma "nova" família, mais abrangente, onde cabe tudo, incluindo pares do mesmo sexo com crianças adoptadas. É um método simples de ataque à família, que consiste em a esvaziar de conteúdo, até que qualquer coisa, incluídos os grupos de sueca, pode chamar-se família. As famílias ficam com cada vez menos apoio e desaparecem da vista, e do coração, dos cidadãos. Entretanto os problemas ligados à juventude parecem ir em alta, continuando a chamar-se a atenção para o facto destes problemas radicarem em famílias destruídas ou ausentes. 

E que tal, entretanto, apoiar a tal família "tradicional" que, pelos vistos, é a única que vai existindo e luta por solucionar os problemas? E, já agora, ajudar as famílias a lidarem com os seus problemas, conforme entenderem, em vez de investir cada vez mais em soluções de pronto-a-vestir anunciadas com as trombetas do político de turno. E, se não for perguntar muito, senhores do poder, que têm feito pelas famílias numerosas que existem e que "funcionam"? Existem mas com muitas dificuldades porque são continuamente castigadas no trabalho, na fiscalidade, na habitação... Castigadas até pelas "ajudas" legislativas, como o trabalho a tempo parcial, em que se atrasa a data da reforma, dos pais ou mães, que optem por cuidar das suas famílias! Que tal ajudar - positivamente - o que temos de bom, em vez de esperar continuamente pelo desastre? 

Constantino Lima Santos (Jugueiros, Felgueiras) 

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