Público -
26
Jan 07
Médicos do "não" mostram imagens de fetos
Carolina Reis
O médico Álvaro Malta, apoiante do "não", admitiu
"exageros" durante a campanha do referendo
Um grupo de médicos defensores do "não", no
referendo sobre a despenalização da interrupção
voluntária da gravidez (IVG), apresentou ontem, em
conferência de imprensa, imagens de ecografias, para
exemplificar um feto de dez semanas. Durante a
sessão, promovida pela Plataforma Não Obrigada, o
médico Álvaro Malta descreveu um embrião de dez
semanas.
"Às dez semanas o embrião já tem o sistema vascular
periférico formado, os braços já dobram, as pernas
já estão formadas embora ainda não dobrem, os dedos
estão desenvolvidos, apesar de ainda estarem ligados
por uma membrana."
Por detrás da mesa onde os médicos se sentaram para
apresentar os seus pontos de vista, a Não Obrigada
colocou um cartaz, de fundo azul, com a imagem de um
feto. A imagem, que também foi distribuída pelos
jornalistas, mostrava um feto com os dedos e mãos
desenvolvidos, já sem a membrana descrita por Álvaro
Malta. Confrontado pelos jornalistas, Álvaro Malta
admitiu não poder garantir que a imagem
correspondesse a um feto de dez semanas.
Ao PÚBLICO a médica Marina do Vale, também presente
na conferência de imprensa, afirmou que, de acordo
com a Não Obrigada, a imagem correspondia a um feto
de oito semanas. E explicou que o desenvolvimento
dos fetos é "contínuo e não é igual para todos os
fetos".
Marina do Vale sublinhou que é possível que a
membrana interdigital, que liga os dedos dos fetos
nas primeiras semanas de gestação, e que se vai
reduzindo entre as nove e as dez semanas, permaneça
além das dez semanas.
A médica adianta também que o feto utilizado como
pano de fundo pode parecer ter mais semanas, por ser
resultado de uma fetoscopia, que resulta da imagem
de uma fibra óptica.
No final da conferência, Álvaro Malta sublinhou que
o seu objectivo era contribuir para a "verdade", mas
que não sabe se há pessoas que "querem ser
esclarecidas".
O médico admitiu ainda existirem "exageros" durante
a campanha para o referendo de dia 11 de Fevereiro,
mas defendeu a veracidade dos argumentos do "não".
"Há quem venha dizer que estes argumentos não têm
interesse e que são coisas incompreensíveis",
afirmou. E sublinhou: "Isto é a verdade e nós
podemos demonstrá-lo."
Na conferência a médica Marina do Vale apresentou
ecografias, realizadas pela própria, em três e
quatro dimensões de fetos entre as nove e as dez
semanas, e defendeu que a imagem é importante para a
forma como "vemos o nosso semelhante". Marina do
Vale defendeu o "não", afirmando que o que deve
prevalecer é a "opção do feto".
Definindo o feto como protagonista do referendo,
Álvaro Malta apelou ao "não", pedindo para deixarem
viver o feto. "Este protagonista pode chegar a
qualquer lado, pode vir a ser médico, Papa,
Presidente da República, jornalista."