Esmagadora maioria conta com o Estado Pouco mais de um terço dos trabalhadores activos
está a preparar a reforma
João Manuel Rocha
Estudo da Axa indica
que portugueses são
dos europeus que menos planeiam e poupam
para a velhice
Só 37 por cento dos portugueses activos já começaram
a preparar a sua reforma e foi aos 34 anos que o
fizeram. Os que já tomaram essa decisão põem de
lado, em média, 108 euros por mês e os que ainda não
deram esse passo contam fazê-lo aos 43 anos, indica
um estudo da seguradora Axa divulgado ontem.
Os portugueses são, a par dos italianos, os europeus
que menos planeiam o futuro e os que mais defendem
que os países da União Europeia deviam ter um mesmo
sistema de pensões. É essa a opinião de 86 por cento
dos activos e 94 por cento dos reformados.
Os dados constam do barómetro sobre atitudes face à
reforma. Em Portugal, o trabalho foi feito pela
empresa GfK Metris, que entrevistou 608 pessoas por
telefone. No conjunto dos 16 países ou territórios
abrangidos pelo estudo foram efectuadas 11590
entrevistas.
A menor preocupação com a reforma pode ter a ver com
facto de uma larga maioria dos portugueses
inquiridos (87 por cento dos activos, 95 por cento
dos reformados) considerar que cabe ao Estado
providenciar a pensão, ainda que 34 por cento dos
activos e 30 por cento dos reformados considerem que
a Segurança Social "está em crise". Pior: só 35 por
cento dos activos acreditam que o sistema público
subsistirá até aos seus 75 anos.
A confiança depositada pelos portugueses no Estado
só é superada pela dos espanhóis (95 por cento e 93
por cento, respectivamente). Mesmo em países como o
Reino Unido (84 por cento quer entre activos, quer
entre reformados), essa dependência tem larga
expressão.
Ainda assim, para a Axa, a importância dada pelos
portugueses ao "papel do indivíduo" na preparação da
reforma "começa a ter peso": 58 por cento dos
activos e 50 por cento dos reformados pensam que o
problema também é seu. A percentagem é superior ao
que acontece, por exemplo, entre espanhóis e
italianos. O empregador também é referido por 48 por
cento dos activos e 57 por cento reformados
portugueses como devendo contribuir.
Quando aos 34 anos começam a preparar a pensão, os
portugueses já estão atrasados face aos outros
europeus. Só os espanhóis têm uma despreocupação
semelhante: só pensam na velhice aos 33 anos.
Os 108 euros que os portugueses que já o fazem
poupam mensalmente são um recuo face aos 140 euros
que os inquiridos declaravam aplicar para a reforma
no estudo divulgado no ano passado.