Público - 19
Jan 07
Vitória do "sim" torna "aborto normal", diz César das Neves
Carolina Reis
"Constribuir com o meu voto para aumentar o número
de abortos?" é a quarta pergunta da Não Obrigada
O economista João César das Neves considerou ontem,
que se o "sim" vencer o referendo, a interrupção
voluntária da gravidez (IVG) passa a ser uma coisa
"normal".
"Se o "sim" vencer, o aborto vai tornar-se uma coisa
normal, é como ter um telemóvel", afirmou João César
das Neves, durante uma conferência de imprensa em
Lisboa, na qual foi anunciado o quarto cartaz da
Plataforma Não Obrigada. No novo outdoor, a Não
Obrigada continua a campanha com mais uma pergunta:
" Contribuir com o meu voto para aumentar o número
de abortos?"
Durante a apresentação do outdoor, João César das
Neves revelou dados estatísticos europeus, do
Eurostat, e também dados norte-americanos,
canadianos e australianos que, de acordo com o
economista, mostram "um aumento generalizado do
número de abortos", nos referidos países a partir do
momento em que a IVG foi legalizada.
Os dados apresentados pela plataforma fazem uma
comparação entre o primeiro ano em que se
despenalizou a IVG até ao último ano em que existem
dados sobre a questão, referindo-se por isso, sempre
a interrupções da gravidez feitas dentro da lei.
César das Neves considera que este aumento do número
de IVG se compara com a chegada de um novo produto
ao mercado, como os telemóveis.
"Em Espanha as taxas de aborto triplicaram", afirmou
César das Neves, que acrescentou que o ritmo de
aumento de crescimento se mantém até aos dias de
hoje.
"Se o "sim" vencer, vai-se instalar uma cultura
abortista", frisou. E considerou que as estatísticas
de "aborto clandestino são mirabolantes", não
atribuindo credibilidade aos números da Associação
de Planeamento da Família.
O economista considerou também que os médicos que
não queiram realizar IVG possam ser "prejudicados",
afirmando ao mesmo tempo que os hospitais "locais de
vida" passam a ser "locais de morte".
Sandra Anastácio, outra das intervenientes na
apresentação, fez um repto ao Governo para
disponibilizar o dinheiro que irá gastar com a
legalização da IVG para a ajuda a mães necessitadas.
"Quando ganharmos a 11 de Fevereiro, vamos pedir ao
ministro que canalize essas verbas para uma rede de
ajuda [a mulheres grávidas] que está a crescer". A
socióloga e membro da Associação Ajuda de Berço
afirmou, que "a primeira coisa que as mulheres [que
engravidaram sem desejar] procuram é ajuda para
prosseguir com a gravidez".
Mas se o "sim" vencer a campanha do referendo, César
das Neves anuncia que, logo a seguir, "começa a
campanha política para o próximo referendo".
Também presente, Isilda Pegado, jurista e
ex-deputada do PSD, pronunciou-se sobre as verbas da
Não Obrigada, que têm uma previsão de 400 mil euros,
como resultado de donativos de apoiantes do "não".