Diário de Notícias - 16
Jan 07
Idade efectiva de reforma cresceu
pela primeira vez
Manuel Esteves
A idade efectiva de reforma aumentou em 2006, o que
acontece pela primeira vez desde, pelo menos, 2001.
Segundo dados solicitados pelo DN ao Ministério do
Trabalho e da Segurança Social, as pessoas que
passaram à reforma no ano passado tinham, em média,
63,0 anos, acima dos 62,7 registados em 2005. Deste
modo, a tendência de quebra sucessiva da idade
efectiva de passagem à reforma (que era de 64 anos
em 2001) foi finalmente interrompida, ainda que de
forma muito ligeira.
A explicação para esta inversão reside na suspensão
das reformas antecipadas decretada pelo Governo
desde Agosto de 2005. Ao impedir que os
trabalhadores se pudessem reformar antes dos 65 anos
mediante uma penalização de 4,5% no valor da pensão,
por cada ano de antecipação, o Governo conseguiu não
só aumentar a idade média de passagem à reforma, mas
também diminuir o número de novos reformados. Com
efeito, tal como divulgou o Ministério do Trabalho
há uma semana, o número de pessoas que se reformaram
em 2006 foi 5,4% inferior ao número verificado em
2005. Esta redução reflectiu-se, de resto, na
despesa com pensões, que, no ano passado, terá
crescido a um ritmo ligeiramente inferior ao de
2005, segundo o Orçamento de Estado deste ano.
Bem mais importante do que a idade legal - que
constitui apenas um limite formal -, a idade
efectiva de reforma tem um papel central na
sustentabilidade financeira da Segurança Social a
longo prazo. Daí que em quase todos os países
desenvolvidos - onde a evolução demográfica e o
aumento de esperança média de vida pressionam os
sistemas de previdência - os governos,
independentemente da sua cor política, tenham vindo
a implementar medidas no sentido de adiar a saída
das pessoas do mercado de trabalho. Em Portugal, o
ministro Vieira da Silva justificou a suspensão das
reformas antecipadas (salvo aquelas que se
destinavam aos desempregados de longa duração) com o
argumento de que iria rever a legislação. O novo
diploma está pronto e deverá vir a ser publicado no
primeiro trimestre deste ano (ver caixa).
Pensionistas vivem em média 18,2 anos
A duração média das pensões manteve-se estável em
2006. Os dados do Ministério de Vieira da Silva
revelam que os reformados falecidos em 2006
recebiam, em termos médios, uma pensão há 18,2 anos,
um valor idêntico ao de 2005. O número de anos de
vida dos reformados tem vindo sempre a crescer desde
2001, ano em que rondou os 17,5 anos, com excepção
de 2003 em que houve uma pequena quebra. Conjugando
a duração média de atribuição de pensões com a idade
efectiva de reforma, é possível concluir que o
típico reformado vive para além dos 80 anos.