Portugal Diário - 06
Jan 07
Aborto: «Não» recolheu mais de 120 mil assinaturas
Existem cerca de 20 movimentos de defesa do «Não»
por todo o país
Os cerca de 20 movimentos de defesa do «Não» à
despenalização do aborto em constituição por todo o país reuniram já
mais de 120 mil assinaturas, foi este sábado anunciado no Porto.
«É um número muito significativo que nos faz
acreditar que o Não irá vencer de novo no referendo de 11 de
Fevereiro», disse à Lusa Margarida Neto, da Plataforma Não Obrigada,
um dos 19 movimentos cívicos e apartidários que participaram na
«Convenção Nacional do Não», realizada no edifício da Alfândega do
Porto.
No encontro, destinado a concertar estratégias de
actuação, Margarida Neto alertou para as consequências da
liberalização do aborto, afirmando que «nos países que já o
legalizaram, tem havido um aumento progressivo e gradual de casos».
«De resto, o termo liberalização significa que é
gratuito e que, como tal, os nossos impostos vão para essa prática
do aborto a pedido em vez de serem destinados à promoção da
maternidade», sublinhou.
Segundo Margarida Neto, «quando o aborto a pedido
é autorizado, entramos num caminho quer de banalização quer do
facilistismo».
A porta-voz da Plataforma Não Obrigada alertou
também para as consequências físicas e emocionais do aborto.
Citando um estudo inglês publicado em Outubro de
2006, Margarida Neto a firmou que «42 por cento das mulheres que
abortam têm uma depressão grave nos quatro anos seguintes».
«É fundamental alertar para o facto de estarem a
cair numa armadilha», disse, sublinhando que «ao contrário do que
esperam, 80 por cento das mulheres arrependem-se do que fizeram».
Para Margarida Neto, «a legalidade do aborto não
lhe retira o facto de ser contranatura e não impede os sintomas
traumáticos, depressivos e o risco de suicídio de quem o pratica»,
acrescentou.
«Pretendemos demonstrar que o aborto livre não é
a solução, nem para as mulheres, nem para os bebés que merecem
nascer, nem para a sociedade», disse.
Maria Inês Graça, porta-voz do Movimento Norte
pela Vida, que organizou a Convenção Nacional do Não, explicou que o
objectivo do encontro foi coordenar «uma campanha que pretende ser
alegre, serena, pela positiva e, sobretudo, esclarecedora».
A lei do referendo determina que podem fazer
campanha partidos, coligações partidárias, directamente ou através
de grupos de cidadãos, e os movimentos de cidadãos criados para o
efeito.
Os grupos de cidadãos que queiram participar na
campanha do referendo sobre o aborto têm de recolher pelo menos
5.000 assinaturas e inscrever-se na Comissão Nacional de Eleições (CNE)
até um mês antes da data da consulta.
Segundo as regras para constituir um movimento,
consultáveis no site da CNE (www.cne.pt), é também necessária a
escolha de 25 mandatários.
O Tribunal Constitucional (TC) deu luz verde, a
15 de Novembro, à pergunta para o referendo, aprovada pela
Assembleia da República a 19 de Outubro, tendo o Presidente da
República, Cavaco Silva, anunciado a 29 de Novembro a convocação da
consulta popular para 11 de Fevereiro.
«Concorda com a despenalização da interrupção
voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas
primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente
autorizado?» é a pergunta do referendo, exactamente igual à de 1998.