Portugal Diário - 05
Jan 07
Parlamento: a «casa da mentira»
Autores
de petições acusam AR de «boicotar iniciativas de cidadãos»
Cerca de duas dezenas de representantes de
petições manifestaram hoje o seu desagrado à entrada da Assembleia
da República, acusando o Parlamento de ser «a casa da mentira» e de
«boicotar as iniciativas de cidadãos».
Manuel Monteiro, líder do Partido da Nova
Democracia e autor de uma petição contra a decisão do Governo de
construir um novo aeroporto na Ota, criticou que este tema seja
incluído num pacote de 11 petições a discutir hoje, com um total de
25 minutos a cada grupo parlamentar para o debate.
«Há uma tentativa de ocultar um debate sobre esta
matéria, dizendo que o assunto está decidido», criticou Monteiro,
acusando o Parlamento de ser «a casa da mentira».
«É a casa da mentira porque faz leis dizendo que
os cidadãos têm direitos e depois não os têm», afirmou, admitindo
que, quando foi deputado, participou igualmente «nesta farsa».
Para Monteiro, as petições deveriam ter de ser
obrigatoriamente votadas, o que não acontece actualmente.
«Para agendar para sexta-feira de manhã a
discussão de onze petições, com 25 minutos a cada grupo parlamentar,
seria preferível que o Parlamento dissesse que não há petições»,
criticou.
Outras críticas tem Carlos Fogaça, que em nome de
várias petições, acusou o Parlamento de não cumprir a lei que regula
o direito de petição.
«A nossa presença aqui vem sublinhar o desagrado
pela forma como a Assembleia da República não está a cumprir com a
obrigação regimental de discutir uma petição 30 dias depois da sua
apresentação», afirmou, em declarações aos jornalistas.
Para este peticionante, ao não cumprir este
prazo, «a Assembleia da República está a confundir maioria absoluta
com um absolutismo de um Governo de maioria».
«Não se pode apelar a actos de cidadania quando
depois é a própria Assembleia que a boicota. Quando a Assembleia se
demite da sua função de fiscalização do Governo deixa de existir a
noção de democracia», afirmou.
Por exemplo, a petição que assinou - contra a
intenção de Governo de suspender as actividades lectivas na Escola
Secundária D. João de Castro, em Lisboa - foi apresentada em Maio do
ano passado, tendo em Agosto o Governo encerrado aquele
estabelecimento de ensino.
«Esta petição é hoje um agendamento fictício para
cumprir calendário», lamentou, considerando «um expediente» a
discussão em pacote de onze petições «com temas desagradáveis para o
Governo».
Por essa razão, Carlos Fogaça deixou um apelo ao
Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
«O que pedimos é que a Assembleia da República
cumpra a lei e o Presidente da Assembleia da República não seja
manipulável pela maioria parlamentar e seja equidistante em relação
aos partidos».