Diário de Notícias -
05 Jan 07
Abortos no Estado sem garantia de
anonimato
O
ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmou ontem, no Jornal da
Noite da SIC, que os hospitais do serviço nacional de saúde não
poderão garantir o anonimato a mulheres que queiram ali realizar uma
interrupção voluntária de gravidez.
"Quem não quiser ser identificado terá de fazer [o aborto] no
privado, à sua custa", disse Correia de Campos.
Segundo o titular da pasta da Saúde, o Governo já sabe quanto
custará ao erário público cada interrupção voluntária da gravidez.
Será, segundo Correia de Campos, algo entre 350 e 700 euros. O
ministro não elaborou no entanto sobre os custos totais estimados,
no curto prazo, se o "sim" vencer.
Os cálculos pelos quais se chegou a estes números foram baseados na
experiência es- panhola. Em Espanha, apesar de o quadro legislativo
ser relativamente parecido com o português, a prática do aborto está
bastante mais liberalizada .Ainda segundo as declarações do ministro
na SIC, os hospitais públicos com serviços de
obstetrícia/ginecologia estarão obrigados a providenciar
interrupções voluntárias de gravidez. Se porventura não tiverem
meios para tal, as mulheres em causa terão de ser encaminhadas para
o sistema privado. Os custos, porém, ficarão por conta do Estado.
Correia de Campos, que já disse que fará campanha pelo "sim" no
referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da
gravidez, invocou em defesa deste argumento uma resolução aprovada,
em 2004, na Assembleia da República .JPH