Público - 05
Jan 07
Não
Obrigada calcula que "sim" custe entre 20 e 30 milhões por ano ao
Estado
Ricardo Dias Felner
Os calculos baseiam-se no
aumento do número de IVG em Espanha
A Plataforma Não Obrigada prevê
que, caso o "sim" vença no referendo sobre despenalização do aborto,
os gastos anuais do Estado sejam entre 20 e 30 milhões de euros. O
movimento tomou como ponto de partida dados da realidade espanhola e
uma estimativa própria sobre o custo de cada interrupção voluntária
da gravidez (IVG): 650 euros.
Os números foram avançados ontem, em conferência de imprensa, em
Lisboa, que juntou o economista António Borges, a vereadora Maria
José Nogueira Pinto e a médica Isabel Galriça Neto.
O valor apresentado resulta de extrapolações com base no aumento da
IVG em Espanha. Ou seja, parte do princípio de que a mesma tendência
sucederá em Portugal, caso "o aborto por pedido seja liberalizado".
Os porta-vozes do Não Obrigada tomam como adquirido que o ministro
da Saúde se prepara para convencionar, com os privados, a prestação
deste serviço, financiando-o por completo. Para Maria José Nogueira
Pinto, o Governo já traçou mesmo o modelo a concretizar e fez as
"previsões" dos gastos que ele significará.
A vereadora da Câmara de Lisboa sublinhou que - caso o "sim" vença a
11 de Fevereiro - os impostos servirão para "pagar abortos", em
detrimento de outros problemas - como os dos doentes oncológicos ou
com Alzheimer ou as listas de espera e a falta de médicos de
família, aos quais o Estado não dá uma resposta satisfatória.
António Borges salientou que esta despesa é injusta, tendo em conta
a "grande escassez de recursos públicos" e a possibilidade de "o
aborto se tornar numa forma de controlo de natalidade
particularmente repugnante". O economista concluiu que de cada vez
que o Estado financiar 2,3 abortos "estará a adiar ou a não fazer
uma cirurgia"