| Expresso - 15 Jan 05
Editorial
A
causa do aborto
«O aborto é uma
prática muito traumatizante para a mulher.»
POR obscuras
razões, o aborto tornou-se para muita gente uma bandeira. As
mulheres que abortam - e o assumem - são elevadas à condição de
heroínas. As declarações dos políticos favoráveis ao aborto têm
imenso destaque na comunicação social.
Há uma febre,
uma excitação, uma pressão enorme para se liberalizar o aborto.
Ora o caso é
tanto mais estranho quanto é sabido que o aborto é uma prática muito
traumatizante para a mulher.
Um aborto deixa
quase sempre marcas fundas para toda a vida.
ATÉ por isso, a
invocação de «razões psicológicas» por parte de muitas mulheres que
pretendem abortar não faz nenhum sentido.
Analisando
centenas de casos de mulheres que ficaram grávidas sem o desejarem,
verifica-se que têm hoje muito mais problemas as que fizeram abortos
do que as que decidiram levar a gravidez até ao fim.
As primeiras
carregam frequentemente um sentimento de culpa e arrependimento -
enquanto as segundas raramente se mostram arrependidas e, pelo
contrário, congratulam-se por terem tomado a decisão de ter o filho.
MAS,
independentemente das consequências, outras razões aconselham a uma
enorme cautela no tratamento do tema do aborto.
Primeiro,
porque é uma prática bárbara - que só por equívoco pode ter sido
erigida à condição de «sinal de progresso».
Eliminar uma
semente de vida (ou mesmo uma vida) não poderá nunca ser um sintoma
de civilização.
Depois, porque
todos os passos no sentido da despenalização do aborto são sinais
errados dados à sociedade.
Sendo o aborto
reconhecidamente indesejável, facilitar o aborto, dar-lhe melhores
condições, é dizer implicitamente: «Agora já se pode abortar sem
risco, portanto ninguém hesite».
A verdade é que
em todos os países que despenalizaram o aborto, o número de abortos
aumentou.
E com o aumento
do número de abortos aumentou também, exponencialmente, o número de
mulheres que carregam problemas psicológicos e traumatismos graves
pelo facto de terem tomado a decisão de abortar.
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