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Público - 30 Jan 04
Ana Manso Acusa PS de Oportunismo e Má-fé
Por SÃO JOSÉ ALMEIDA
"Não estando em causa a questão de fundo relativamente à interrupção
voluntária da gravidez a posição do PSD é clara: vamos votar contra o
oportunismo e a demagogia política do PS", afirmou ao PÚBLICO Ana Manso, a
vice-presidente da bancada do PSD responsável pelos temas sociais.
A deputada salvaguarda que "o PCP tem uma linha de coerência" e afirma que
o PSD "respeita essa coerência", mas ataca com violência a posição dos
socialistas: "O PS, nesta matéria, para além de ter rasgado o compromisso
pré-eleitoral feito publicamente pelo secretário-geral, em termos de
Parlamento, tem dado o dito pelo não dito em sucessivas iniciativas que só
demonstram a falta de rumo e de orientação."
Pormenorizando, a deputada lembra: "Primeiro, apresentaram um pedido de
estudo em Julho de 2002, estudo que não está terminado. Mas a 22 de
Janeiro de 2004 entregaram o projecto de resolução pedindo a convocação de
novo referendo. E no dia 28 de Janeiro entregaram por sua vez a iniciativa
popular e querem agendá-la para dia 26 de Fevereiro. Isto revela má-fé,
porque se pediram o estudo deviam esperar pelo resultado, e oportunismo
político, porque estando marcado um debate para dia 3 de Março pelo PCP
estão a querer antecipar-se a 3 de Março".
Ana Manso reafirmou que "o PSD assumiu um compromisso eleitoral com 10
milhões de portugueses e vai cumprir esse compromisso que passa pela não
realização do referendo nesta legislatura". E esclarece que, como o PSD já
assumiu também "que um referendo só pode ser alterado por outro referendo,
nessa matéria de interrupção voluntária de gravidez não haverá alterações
nesta legislatura". A deputada frisa mesmo que "este compromisso assumido
pelo líder do PSD é pré-eleitoral, por isso anterior à coligação e não tem
a ver com a coligação".
Por fim, Ana Manso fez questão de salvaguardar a posição do PSD sobre o
facto de estarem a ser julgadas e poderem ser condenadas a prisão mulheres
que praticam abortos. "O PSD, como o primeiro-ministro já referiu,
relativamente à condenação das mulheres tem valores de humanismo e
respeito pela vida e compreende a situação difícil das mulheres vítimas de
uma gravidez não desejada." E conclui afirmando: "Por isso mesmo é
importante combater as causas e criar apoios para essas mulheres
investindo na prevenção, na educação e na formação sexual. Considero isto
uma questão de direitos humanos e uma questão de saúde pública."
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