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Público - 30 Jan 04
Jovens Vão Poder Reabilitar Prédios Municipais Devolutos em Lisboa
Por LUSA
A Câmara de Lisboa quer entregar aos jovens a reabilitação de prédios
municipais degradados ou devolutos e a construção de edifícios em terrenos
municipais, no âmbito de um programa que estará brevemente em discussão
pública.
Segundo a proposta do presidente Pedro Santana Lopes - com debate agendado
para a próxima semana em reunião do executivo -, a Câmara de Lisboa cederá
gratuitamente aos jovens com menos de 35 anos o direito de superfície
sobre edifícios municipais em mau estado de conservação e devolutos ou
parcelas de terrenos municipais devolutas.
Aos jovens, que se podem agrupar em pessoas colectivas sem fins lucrativos
ou cooperativas de construção ou habitação, caberá a reabilitação ou
construção dos prédios, podendo depois ficar a habitar neles.
Para Santana Lopes, esta medida permitirá repovoar Lisboa, "resolvendo um
problema habitacional que obriga muitos jovens a morar fora da cidade,
dadas as despesas inerentes à aquisição de casa". A presença dos jovens,
acrescenta, "permitirá dinamizar o comércio local, aumentar a segurança,
revitalizar a vivência do bairro e diminuir o tráfego automóvel".
O autarca anunciou quarta-feira, em reunião de câmara, que brevemente vai
apresentar "uma proposta de isenção das taxas de construção para fogos
destinados a jovens e às camadas mais necessitadas da população".
Segundo o regulamento do programa, o direito de superfície é cedido por 30
anos, após os quais a câmara readquire o edifício ou parcela do terreno.
Os candidatos são obrigados a realizar a reabilitação ou construção dentro
dosprazos estipulados, de acordo com os projectos aprovados, e
conservá-los "como o faria um proprietário prudente", estando proibidos de
arrendar o edifício ou parcela de terreno.
Para se candidatarem ao programa, os jovens devem trabalhar ou residir em
Lisboa há pelos menos dois anos, não possuir habitação ou terreno em seu
nome no concelho e ter viabilidade financeira ou condições de obtenção de
um empréstimo para realizar as obras.
PS propõe adiamento para alterações
Para o vereador socialista Vasco Franco, a proposta do presidente da
câmara "parece interessante", mas arrisca-se a ser "mais um papel" se não
for reformulada, pelo que sugere um adiamento da sua votação pelo
executivo municipal.
"A medida pode tornar-se pouco viável devido às regras que prevê. É o caso
da cedência de direitos de superfície quando acontece que as entidades
financeiras são avessas a empréstimos quando se trata de regimes de
direito de superfície. Por outro lado, a proposta obriga à constituição de
cooperativas, mas o que sucederá se alguns dos cooperadores envolvidos
deixarem de pagar as suas obrigações?", exemplificou. Segundo o antigo
responsável pelo pelouro da Habitação, o movimento cooperativo tem
condições para participar neste futuro programa de reabilitação. No
entanto, acrescentou, várias iniciativas no campo da habitação cooperativa
tomadas pela anterior coligação estão hoje bloqueadas e "espera-se
resposta para muita coisa". Daí que comente: "Não sei se [a proposta
agendada] não vai ser mais um papel...". Por seu turno, a CDU preferiu
comentar mais tarde a proposta, que está ainda a estudar.
A abertura do programa será anunciada no "Diário Municipal", na Internet,
no "site" da Câmara Municipal de Lisboa (www.cm-lisboa.pt),
em dois jornais diários de âmbito nacional e através da afixação de
editais nas sedes das juntas de freguesia.
No mesmo anúncio serão apresentados os edifícios e parcelas abrangidas.
A proposta do regulamento do programa, apresentada por Pedro Santana
Lopes, vai ser debatida na próxima quarta-feira, em reunião de câmara,
seguindo-se um período de apreciação pública por 30 dias, durante o qual
deverão ser ouvidas as associações representativas de jovens e
cooperativas de construção e habitação.
O PÚBLICO tentou junto da CML saber o número de edifícios municipais
devolutos, mas sem sucesso. A lista divulgada em Janeiro de 2002, aquando
da campanha de emparedamento e demolições lançada por Santana Lopes,
registava 85 imóveis degradados ou devolutos pertencentes à câmara,
concentrados sobretudo nas freguesias de Santo Estevão, Encarnação e
Marvila. Mas, como o PÚBLICO demonstrou na altura, esta lista continha
erros.
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