Portugal Diário - 29 Jan 04

Educação: provas de aferição preocupantes
PD  

Alunos com notas negativas em Português e Matemática. Ministro justifica-se

Os alunos do 9º ano que em Maio de 2002 fizeram provas de aferição tiveram médias negativas a Português e Matemática, tal como os do 6º ano nesta última disciplina, revela hoje o Público.

O ministro da Educação, David Justino, já justificou estes resultados afirmando que «a culpa é do antigo Governo socialista». «São dados que revelam o descalabro do antigo Governo», disse à TSF.

David Justino afirmou ainda que a culpa não era das escolas ou dos alunos mas sim do Ensino Educativo. «É necessário uma remodelação dos conteúdos e dos programas», avançou.

As únicas médias positivas naquelas duas disciplinas foram alcançadas pelos estudantes do 4º ano e ainda pelos alunos do 6º ano em Matemática, de acordo com os dados oficiais, ainda não publicados, citados pelo matutino.

Os cerca de 116 mil alunos do 6º ano que em Maio de 2002 fizeram as provas de aferição obtiveram uma média de 33,5 por cento a matemática, numa escala até 100 por cento.

As provas de aferição, realizadas pela primeira vez em 2000, visam saber se no final de cada ciclo do ensino básico, os estudantes atingiram os conhecimentos essenciais previstos no currículo nacional.

Face a este objectivo, o deputado socialista Augusto Santos Silva, ex-ministro da Educação, explica ao Público que os resultados das provas de aferição a Matemática e Língua Portuguesa, realizadas em 2002 em 68 escolas com o 4º ano e pela totalidade dos alunos do 6º e 9º anos, concluem o que há muito tempo se vinha constatando.

O jornal adianta que qualquer que seja o nível de ensino, os alunos demonstram mais dificuldades a matemática do que a português, sendo que só os alunos do 4º ano se saíram razoavelmente bem a matemática.

Os resultados mostram que as raparigas conseguem melhores resultados que os rapazes a Português, enquanto a Matemática se verifica o contrário, embora com uma diferença ligeira.

Os resultados mostram também que as classificaçõe dos alunos mais novos em cada ano são muito superiores à dos colegas mais velhos, adianta o matutino.

Outra conclusão que se retira destes resultados é que tanto no 6º como no 9º ano a divisão entre o Norte e Sul é evidente, uma vez que nenhum Centro de Área Educativa (CAE) a sul do Tejo apresenta uma média superior aos resultados nacionais a Matemática.

Ainda de acordo com a análise realizada pelo jornal, na disciplina de Português, os alunos de todos os ciclos saem-se melhor a produzirem textos escritos, enquanto os alunos do 6º e 9º ano apresentam mais dificuldades no conhecimento das categorias gramaticais.

No que diz respeito à Matemática, a Geometria e a Estatística são as principais dificuldades dos estudantes.

De acordo com Augusto Santos Silva, os resultados das provas de aferição do 4º, 6º e 9º realizadas em 2002 devem ser apresentados publicamente, dado que «é um instrumento precioso da avaliação do currículo nacional».

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