Público - 7 Jan 04

Adolescentes Portugueses São dos Mais Obesos da Europa

Os adolescentes portugueses são dos mais obesos da Europa. Em Portugal, o problema atinge cerca de sete por cento das raparigas e cinco por cento dos rapazes entre os 13 e 15 anos. A conclusão é de um estudo dinamarquês publicado este mês, que avaliou os índices de obesidade em 13 países europeus, nos Estados Unidos e em Israel.

A preponderância feminina mantém-se na avaliação do peso excessivo que afecta quase 16 em cada cem raparigas e 14 em cada cem jovens do sexo masculino. Os dados confirmam o panorama descrito por um estudo português apresentado o mês passado (ver PÚBLICO de 26/12), o qual revelou que mais de 31 por cento das crianças entre os sete e os nove anos têm peso a mais, um número que coloca os menores portugueses em segundo lugar no ranking europeu da obesidade infantil.

Mesmo assim, os adolescentes portugueses ficam muitas atrás dos jovens norte-americanos. Os Estados Unidos (EU) são os campeões da obesidade infantil, um fenómeno que afecta 15 por cento das raparigas e cerca de 14 por cento dos rapazes. Seguem-lhe a Grécia, Portugal, Israel, Irlanda, Finlândia e Dinamarca. O estudo indica ainda que em países como Portugal, Irlanda e Suécia, as raparigas de 13 anos têm mais probabilidades de se tornar obesas do que as de 15 anos.

Os números são de um estudo, publicado na edição deste mês da revista norte-americana Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine e os dados foram recolhidos através de questionários escolares feitos em 1997 e 1998. A pesquisa, dirigida por Inge Lissau, investigadora no Instituto de Saúde Pública de Copenhaga, Dinamarca, inquiriu quase 30 mil jovens de 15 países.

Para Mary Overpeck, do Gabinete de Saúde Materno-Infantil dos EU e co-autora do estudo, os jovens norte-americanos têm mais probabilidades do que os de outros países de consumirem "fast food", "snacks" e refrigerantes açucarados, e de serem levados de carro à escola e a outras actividades, o que contribui para um estilo de vida mais sedentário.

No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) defendeu no ano passado que a obesidade deixou de ser um problema sobretudo norte-americano e passou a ser uma preocupação crescente na Europa e noutras nações desenvolvidas, devido ao abandono dos hábitos de dieta tradicionais e à adopção de estilos de vida mais sedentários.

[anterior]