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Diário de Notícias - 5 Jan 04
DECO garante que aumento do pão é ilegal
ADRIANA SILVA AFONSO
A Autoridade da Concorrência começa hoje a recolher informação junto das
empresas da indústria de panificação sobre o possível aumento dos preços
do pão, estimado na ordem dos 35 por cento. A DECO, por sua vez, revelou
ao DN que se esse valor da subida de preços se confirmar estamos «perante
um acto ilegal». Jorge Morgado, da DECO, afirmou ao DN que «o aumento
generalizado, se for uma realidade, dará indícios de concertação».
Ao mesmo tempo, as indústrias panificadoras não têm «legitimidade» para
definir a taxa de aumento do preço em 35 por cento, apoiando-se
simplesmente no aumento do custo «das matérias primas».
Jorge Morgado desconhece as contas que foram feitas para «se chegar aos 35
por cento de aumento do preço do pão», no entanto garante que se trata de
uma percentagem «perfeitamente exagerada», que tem de ser investigada pelo
Governo. Por outro lado, as «indústrias de panificação têm de pensar na
questão da responsabilidade social», uma vez que subir o custo do pão «não
é como aumentar os perfumes ou o salmão fumado». Torna-se também
fundamental que os consumidores, no contacto com os seus fornecedores,
mostrem que «o aumento é despropositado».
A subida de 35 por cento dever-se-á ao aumento de 30 por cento da matéria
prima, que é importada. Para a DECO, este argumento «não determina o
aumento do produto final», porque a «matéria prima não é das partes mais
importantes» no fabrico daquele alimento. Considera, portanto, que «não há
factor algum que determine o valor do aumento».
O risco de concertação na venda do pão é outro dos receios da associação
de consumidores. Isto porque se prevê um aumento generalizado dos preços.
Assim, «é necessário que o Governo desmobilize e reprima a situação de
potencial concertação que o sector insiste em manter». Tudo para que, a
determinado dia, todas as panificadoras elevem os preços ao mesmo tempo.
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