Correio do Vouga - 31 de Janeiro

Associação Portuguesa de Famílias Numerosas apresenta-se em Aveiro
Apostar na família para construir o futuro


Fernando Martins

“É preciso apostar na família para construir o futuro, ao mesmo tempo que é necessário desafiar o próximo Governo para que defina um plano de apoio ao agregado familiar”, afirmou o Eng. Fernando Castro, pai de 13 filhos e presidente da APFN — Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, em conferência que proferiu em Aveiro, no CUFC, na terça-feira, 22, sobre “Família, Política Familiar e Poder Local”. Tratou-se de um evento que contou com a presidência do vereador da Câmara Municipal de Aveiro, Dr. Manuel Rodrigues, em representação do presidente, a moderação do Prof. Doutor Manuel Fernandes Thomaz e a presença do Dr. Rogério Leitão, presidente da ADAV-Aveiro — Associação de Defesa e Apoio da Vida.

A APFN, que nasceu para defesa dos interesses das famílias numerosas, designadamente em matéria fiscal, habitação, saúde e educação, pretende também promover acções de solidariedade e apoio mútuo, obter facilidades e descontos para os seus associados e desenvolver iniciativas de carácter sociocultural e de divulgação dos valores da família. Tratando-se de uma associação aconfessional, reconhece que a grande maioria dos seus associados é, como é natural, porque vivemos num contexto de catolicismo, de expressão católica. Mas há associados que o não são, bastando para isso que sejam famílias com três ou mais filhos e acei-tem os princípios estatutários.
Depois de afirmar que as nossas famílias têm em média um agregado correspondente a 2,8 pessoas, o que não chega a um filho por casal, Fernando Castro disse que as famílias numerosas já são cerca de 7 por cento das famílias portuguesas, tendo sublinhado que “não queremos benefícios”, mas “uma política familiar”, que tenha em conta o respeito pela integração, pela participação e pela subsidiariedade, considerando a autonomia e liberdade das famílias.
O presidente da APFN denunciou as penalizações, sob o ponto de vista fiscal, de que são vítimas as famílias estruturadas em Portugal, cerca de 60 por cento, em favor das famílias não estruturadas (30 por cento) e dos restantes grupos domésticos. Frisou o facto de a família ser “o berço e o suporte da sociedade”, merecendo, por isso, ser “o assunto de Estado” e não “um assunto do Estado”, acrescentando que o agregado familiar deve assumir a protecção, o crescimento e o desenvolvimento dos filhos.
Fernando Castro garantiu que 87 por cento dos portugueses consideram a família como o mais importante na vida, à frente dos amigos, do trabalho, do dinheiro e do sucesso, motivo mais do que suficiente para que o Estado “promova a independência social e económica dos agregados familiares, cooperando com os pais na educação dos filhos”. Mas também considerou importante que o mesmo Estado “regule os impostos e os benefícios sociais, de harmonia com os encargos familiares”. Ainda disse que o Governo deve ouvir as associações representativas dos agregados familiares e executar uma política de família “com carácter global e integrado”.
O conferencista informou que 70 por cento dos casais vão até ao fim da vida e que há 32 por cento de divórcios e apenas quatro por cento de uniões de facto, com mais de dez anos, tendo considerado um exagero a defesa que se faz dessas uniões. Por outro lado, esclareceu que há no nosso País falta de 50 mil nascimentos por ano para se fazer a renovação de gerações, estando a população portuguesa a envelhecer de forma assustadora.
Fernando Castro denunciou o aumento da droga e do alcoolismo, de gravidezes na adolescência e da sida, bem como o insucesso escolar, por falta de uma política de família adequada às nossas realidades. Logo depois, pediu o “fim da negociata” dos livros escolares, mais autoridade e disciplina nas escolas, mais cursos profissionais, a criação do “bilhete de família” para acesso a cinema, espectáculos e a transportes públicos, uma política de habitação de combate aos preços elevadíssimos, preços da água e da electricidade adequados às famílias grandes e a valorização dos trabalho doméstico. “Se a mulher, com um ordenado, pudesse ficar em casa, toda a família lucraria”, disse.

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