Público - 8 de JaneiroMais Uma Lição de Cidadania
Por LUÍS FRANCISCO, editor
Os cidadãos portugueses, especialmente os automobilistas, receberam do
(ainda) seu Governo nestes primeiros dias do novo ano mais uma
brilhante lição de cidadania. Na verdade, tratou-se apenas da revisão da
matéria dada, mas num cenário diferente, como que para assegurar que o
princípio básico fica bem definido. E esse princípio básico é: "Nunca
pagar ao Estado sem, primeiro, tentar tudo o que for possível para o
enganar."
Já eram conhecidos os casos das amnistias cegas, que acabam por perdoar
coimas a quem demorou o pagamento à espera de "qualquer coisa",
penalizando, na prática, quem cumpriu o dever cívico de saldar, sem
artimanhas, as suas dívidas para com o Estado. Agora, a história repete-se
e com contornos de malvadez. Quem, nos últimos tempos, foi apanhado ao
volante com valores superiores a 0,2 gramas de álcool por litro de sangue
mas inferiores a 0,5 tinha duas opções: pagar a multa ou cruzar os braços
à espera de "qualquer coisa".
Quem teve a infeliz ideia de ir pelo primeiro caminho teve agora a
"grata" surpresa de se ver penalizado pelo mesmo Estado por quem mostrou
respeito. Quem assobiou para o alto, por convicção ou puro desrespeito
pela autoridade, foi "perdoado".
Sejamos claros: ou o Governo assume que não deveria ter baixado a taxa
de alcoolemia quando o fez e perdoa a toda a gente; ou mantém as suas
decisões, oficiais e publicamente conhecidas no prazo em causa, e não
perdoa a ninguém. Assim é que não. Porque, assim, transforma cidadãos
honestos em "patos" e recompensa alguns espertalhões. Confiar nas
instituições, definitivamente, não compensa.