Público - 14 de Janeiro

SIC Incendiária

Não pertenço, decididamente, ao grupo dos que vociferam constantemente contra os excessos da comunicação social (vide televisão). Acredito, pelo contrário, no poder do telecomando. Só vemos o que escolhemos. Mas hoje tenho que protestar!

A cobertura televisiva da SIC ao incêndio na Av. António Augusto de Aguiar foi conduzida de modo irresponsável, abjecto e mesmo criminoso! A repórter devia ter sido punida com prisão... pelo menos até o fogo estar dominado!

Assisti, estupefacta, a uma jornalista, em directo, a interromper e incomodar os bombeiros com perguntas. Bombeiros que combatiam um fogo intenso.

Assisti, estupefacta, a uma jornalista, no estúdio, que lamentava que não permitissem o trabalho da repórter.

Se um dia a sua casa arder, espero que o repórteres encontrem bombeiros mais civilizados e cooperantes. Bombeiros que desliguem por um pouco as mangueiras e prestem as mais emotivas das declarações à SIC.

Quando uma moradora do prédio foi retirada deste, a repórter chegou ao cúmulo de saltar para a sua frente, de microfone em riste, interrompendo as declarações da senhora aos paramédicos e às autoridades!!!

Foi um espectáculo repugnante e um perigoso exercício do quarto poder.

Tive vontade de ir até lá e inventar que tinha informações bombásticas em relação às causas do fogo.

Talvez assim conseguisse distrair a infeliz "profissional" o tempo suficiente para que os bombeiros terminassem em paz o seu trabalho.

Paula Bonet Coutinho, Lisboa  

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