Expresso - 26 de Janeiro

Os homens e o aborto

«Deve haver exigência em todas as relações e, também, nas relações sexuais. Devem tomar-se nessas relações as precauções necessárias, até porque há doenças sexualmente transmissíveis. E, se tudo isso falhar, devemos interrogar-nos sobre se temos o direito de interromper uma vida. Porque aí não é já o nosso corpo que está em jogo, como pretendem os partidários do aborto: é um outro ser.»


O EXPRESSO já se manifestou por diversas vezes contrário à liberalização do aborto.

Porquê?

Porque a opinião dos que a defendem funda-se numa certa cultura da facilidade e o EXPRESSO é favorável a uma cultura da responsabilidade.

Os cidadãos devem ser responsáveis pelos seus actos.

Ora toda a argumentação dos defensores da despenalização do aborto vai em sentido contrário.

Vai no sentido de banalizar os contactos sexuais, tornando-os pouco exigentes.

Vai no sentido de dispensar precauções nesses contactos por parte de ambos os parceiros.

Vai, finalmente, no sentido de não assumir as consequências desses comportamentos.

Ora isto está, evidentemente, errado.

Deve haver exigência em todas as relações e, também, nas relações sexuais.

Devem tomar-se nessas relações as precauções necessárias, até porque há doenças sexualmente transmissíveis.

E, se tudo isso falhar, devemos interrogar-nos sobre se temos o direito de interromper uma vida.

Porque aí não é já o nosso corpo que está em jogo, como pretendem os partidários do aborto: é um outro ser.

No calor da discussão há, no entanto, um assunto que quase não tem sido tratado e não pode ser esquecido: a responsabilidade dos homens nesta questão.

Por que motivo só as mulheres se sentam no banco dos réus?

Por que razão não se sentam também os homens, sendo certo que às vezes são eles a empurrarem as mulheres para o aborto?

Por que razão os homens, que são tão responsáveis como as mulheres na concepção de uma nova vida, podem lavar as mãos como Pilatos?

Se a lei já não permite a existência de «pais incógnitos», obrigando todos os recém-nascidos a terem uma mãe e um pai, por que razão não se aplica aqui o mesmo princípio e não se responsabilizam os homens nos casos dos abortos clandestinos?

Não seria este um modo de evitar muitos abortos?

Não estaríamos assim a contribuir para a desejável cultura da responsabilidade? 

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