Diário de Notícias - 6 de Janeiro

Política Social: é possível reduzir número de crianças a viver em lares

A aposta na qualidade nas instituições de acolhimento de jovens e na qualificação dos seus funcionários para se diminuir o número de crianças "institucionalizadas" foi uma das promessas feitas ontem pelo secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, na sua alocução durante a inauguração do Centro de Acolhimento Temporário do Centro Juvenil de Campanhã.

Segundo Simões de Almeida, há cerca de 14 mil crianças a viverem em lares de jovens em Portugal, quando algumas já poderiam ter regressado às suas famílias naturais ou ter sido encaminhadas para adopção. Para o secretário de Estado as instituições podem evitar que o destino das crianças seja o ingresso (permanente) nos lares. Por isso, defendeu, "as instituições devem realizar avaliações periódicas da situação da criança e definir qual o seu projecto de vida. Há crianças que estão mal institucionalizadas, pois no passado as suas famílias não tinham condições para as receber", especificou, "mas, neste momento, há já medidas a montante para resolver esse tipo de problema, como é o caso do Rendimento Mínimo Garantido".

"É, no entanto, preciso que as instituições tenham pessoas capazes de fazer uma avaliação da criança e capazes de definir o projecto de vida dessa criança", disse. Simões de Almeida considera que as crianças vítimas de maus tratos e abandono acolhidas em instituições "merecem ser tratadas em cada momento como aquilo que são". Por outro lado, as instituições têm que "estar abertas às próprias famílias dos jovens, à comunidade em geral e aos tribunais".

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