Diário de Notícias - 19 de Janeiro

Sampaio defende castigo para maus professores
ISALTINA PADRÃO

Os maus professores devem ser penalizados assim como os bons merecem ver o seu trabalho reconhecido, defendeu ontem o Presidente da República, alertando para a urgência de "criar instrumentos de avaliação necessários para prestigiar os docentes e as escolas".

Jorge Sampaio, que falava na cerimónia de inauguração das novas instalações do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa, aquando da abertura do ano lectivo, considera que para melhorar a qualidade do ensino é fundamental que se desenvolva uma cultura de avaliação. Uma avaliação da qual, segundo o Presidente, "é essencial que se tirem consequências".

E de que modo? "A avaliação dos professores deve, a meu ver, servir para valorizar os bons professores, ajudar a melhorar os que o queiram fazer, mas também penalizar aqueles que não cumprem as suas funções", diz Jorge Sampaio, que defende a existência de uma escola de exigência quer para os alunos quer para os professores.

Reconhecendo que no ensino superior existe já um trabalho avançado nesse sentido, "apesar de alguns passos pontuais desenvolvidos com mérito", Sampaio alerta para o facto de haver "ainda todo um sistema a criar para que seja possível existir nos ensinos básicos e secundários uma cultura de avaliação".

O Presidente aproveitou ainda a ocasião para apelar a uma melhor gestão dos recursos que temos. Defendendo a importância do investimento na área da educação, Sampaio diz considerar ser "indispensável repensar a utilização dos recursos" existentes. É que no seu entender, "a racionalização e a redistribuição dos recursos deve ter como principal objectivo melhorar a qualidade da educação e das escolas, colocando o interesse do aluno no centro do desenvolvimento educativo".

Jorge Sampaio não quis deixar de transmitir uma nota de optimismo e esperança que se prende com a democratização do acesso a todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar ao superior. E aproveitou para lembrar que, entre 1985 e finais de 90, "as taxas de escolarização na educação pré-escolar subiram de 27 para cerca de 70 por cento. No terceiro ciclo do ensino básico foi de cerca de 40 para quase 90 por cento e no secundário de cerca de 18 para mais de 63 por cento". Estes são, de acordo com o PR, "números de que nos devemos orgulhar".

Pese embora a grande aposta que tem sido feita na educação, o Presidente da República diz que "temos ainda que continuar este investimento e estabelecer metas para aumentar as taxas de escolarização". É que, tal como o próprio referiu, "se compararmos as taxas de frequência dos ensinos básico e secundário como as dos outros países da OCDE constatamos que há ainda uma distância grande a percorrer".

O chefe de Estado vê também "com apreensão aumentarem as expressões de descontentamenteo, no que diz respeito aos resultados obtidos pelos alunos nas escolas portuguesas. Os testes internacionais, mesmos analisados com todas as reservas, não são, com efeito, satisfatórios para nós". Uma situação que, diz temos que ser capazes de mudar.
 

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