Correio da Manhã - 14
Fev 07
Educação - Provas no final de Maio
Exames para 250 mil
Edgar Nascimento
Pela primeira vez, todos os alunos do 1.º e 2.º
ciclos vão realizar provas de aferição a duas
disciplinas
Quase 250 mil alunos dos 4.º e 6.º anos de
escolaridade vão realizar no final de Maio provas de
aferição a Português e Matemática. Pela primeira
vez, as provas serão obrigatórias para todos os
alunos – até agora era por amostragem. Apesar de não
contarem para a classificação final, as notas das
provas serão dadas a conhecer aos alunos, pais e
escolas.
Avaliar o desenvolvimento dos currículos e a
aquisição pelos estudantes das competências
essenciais para cada ciclo continua a ser o
principal objectivo destas provas, introduzidas em
2000, mas até agora realizadas por amostras do
universo de cada ciclo.
De acordo com o despacho do secretário de Estado da
Educação, Valter Lemos, a que o CM teve acesso e que
deverá ser publicado hoje no Diário da República, as
escolas ficarão obrigadas a elaborar planos de acção
para melhorar as classificações.
Todos os alunos das escolas públicas e privadas
serão chamados a exame, na semana de 21 a 25 de
Maio, cerca de um mês antes do final das aulas para
os alunos dos dois ciclos. Frequentam os 4.º e 6.º
anos mais de 248 mil alunos (124 mil em cada um). Em
2006, as provas de aferição foram realizadas por uma
amostra de 25 500 alunos do 4.º ano e 26 mil alunos
do 6.º.
As provas devem conter a identificação dos alunos,
mas serão classificadas anonimamente. Depois de
classificadas, serão devolvidas às escolas ainda
antes do final do ano lectivo, onde serão afixadas
as pautas com os resultados dos alunos. Até agora, o
desempenho de cada aluno nas provas de Matemática e
Português só eram fornecidas aos pais se estes o
pedissem.
Posteriormente, refere o despacho, será
disponibilizada e fornecida às escolas a informação
sobre o resultado do desempenho dos alunos ao nível
nacional, regional e de escola. O objectivo é que
cada escola saiba se o desempenho dos estudantes
está ou não ao nível do que se passa nos outros
estabelecimentos de ensino.
A direcção da escola terá depois de,
obrigatoriamente, enviar um relatório de avaliação à
respectiva Direcção Regional de Educação. Além da
análise do desempenho dos alunos, a direcção escolar
terá de elaborar um plano de acção, com as medidas a
adoptar, os resultados a alcançar em cada disciplina
e quais os alunos que precisam de apoio ao estudo.
No plano de acção devem ser ainda indicados quais os
recursos necessários para atingir os resultados
propostos.
Já em Julho passado, a ministra da Educação, Maria
de Lurdes Rodrigues, tinha manifestado a intenção de
avançar com a realização das provas de aferição para
todos os alunos, no final dos 1.º e 2.º ciclos, para
combater o insucesso escolar.
A proposta mereceu o acolhimento positivo dos
sindicatos de professores, para quem a medida só
peca por tardia.
CONHECER OS RESULTADOS
Nos últimos anos eram os próprios alunos que
revelavam a falta de empenho na realização das
provas de aferição. Como não contavam para passar ou
chumbar de ano e como eram anónimas, servindo para
avaliar o sistema de ensino e o trabalho realizado
pelas escolas para cumprir o currículo, as provas
eram deixadas para segundo plano. Em 2005, os
enunciados passaram a ser assinados, mas ainda assim
as escolas queixavam-se de que os resultados
demoravam a chegar. Agora, assegura o secretário de
Estado da Educação, Valter Lemos, vai haver mais
empenho dos alunos: “Vão ficar a conhecer a
classificação antes do ano lectivo terminar e as
escolas vão receber as informações a tempo de
elaborar planos de acção” a aplicar no início do ano
lectivo seguinte.
MATERNIDADE NÃO PREJUDICA
As faltas dadas por razões de maternidade não
prejudicarão nenhum docente no primeiro concurso de
acesso à categoria de Professor Titular. Segundo o
Ministério da Educação, a proposta entregue aos
sindicatos de regulamentação do concurso de acesso
ao topo da carreira “delimita um período de cinco
anos, de 2000/01 a 2005/06, que servirá de
referência para a ponderação de vários factores
relativos à experiência profissional, designadamente
a assiduidade”. Em comunicado, o ME “garante que
está aberto à procura de uma solução” para as
situações que surjam. “Em todo o caso, considerando
o nível etário médio dos docentes que concorrerão a
este primeiro concurso, é de prever que as situações
de maternidade que tenham ocorrido no período de
referência sejam relativamente escassas.” Tanto a
Fenprof como a FNE, as duas maiores estruturas
sindicais, consideraram que o critério da
assiduidade contém aspectos “ilegais”, ao contar com
as faltas por maternidade para efeitos de progressão
na carreira.
PROVAS DESDE 2000
ÁLGEBRA E FRASES
Em 2005, os resultados foram catastróficos. No 6.º
ano, 68% dos alunos teve zero em Álgebra. Em Língua
Portuguesa, o principal problema foi a Estrutura
Frásica: 53% alunos do 6.º tiveram zero.
PROVAS FALHAM
A aquisição de competências não melhorou em seis
anos de provas de aferição, introduzidas em 2000.
Esta foi a conclusão da directora do Gabinete de
Avaliação Educacional, no ano passado. Em Português,
o problema tem sido a interpretação. Em Matemática
há dificuldade em perceber os enunciados, o que
origina dificuldades na resolução dos exercícios.
GRALHA E DIFICULDADE
Em 2006, a prova do 4.º ano de Língua Portuguesa
referia Setembro com 31 dias; alguns professores de
Matemática consideraram a prova do 4.º ano difícil
de mais.